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Livre, PCP e BE querem que Parlamento possa “corrigir” nova lei orgânica do INEM

Lusa
21-07-2026 17:11h

Livre, PCP e BE submeteram hoje no Parlamento um pedido conjunto de apreciação parlamentar da nova lei orgânica do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) para que “os deputados possam apreciar, questionar e, se necessário, corrigir” o seu conteúdo.

A formalização deste pedido conjunto foi anunciada pelo deputado do Livre Paulo Muacho, em declarações aos jornalistas no Parlamento, mas o recurso a este instrumento de fiscalização já tinha sido comunicado pelos três partidos a 08 de julho, sem que fosse conhecido o seu teor.

Deste instrumento, ao alcance de um conjunto mínimo de dez deputados (o número de parlamentares de Livre, PCP e BE somados), pode resultar a cessação de vigência ou alteração dos diplomas em causa, segundo a Constituição.

No texto da apreciação parlamentar, os três partidos defendem que esta lei, aprovada pelo Governo em Conselho de Ministros a 07 de maio e promulgada pelo Presidente da República no dia 07 de julho, “não deve entrar em vigor sem que os deputados a possam apreciar, questionar e, se necessário, corrigir”.

No Parlamento, Paulo Muacho pediu uma discussão “transparente com todos os portugueses” e que “todos os partidos tenham a oportunidade de criticar as opções ou de propor alterações” para “melhorar o que está nesta orgânica”.

“Do nosso ponto de vista não há justificação nenhuma para fazer este processo com a opacidade que o Governo está a fazer”, criticou.

O deputado do Livre adiantou que o seu partido irá apresentar propostas de alteração ao diploma do executivo, reconhecendo que a lei orgânica anterior “estava desatualizada” e a atual tem “alguns pontos positivos” como o facto de aumentar o conselhos diretivo do instituto.

Entre os pontos negativos, Paulo Muacho afirmou que se está “a abrir a porta aos privados”, considerando que é “um risco enorme”, criticou as “alterações substanciais à orgânica regional do INEM” e levantou dúvidas sobre as questões relacionadas com a formação de profissionais.

Na apreciação parlamentar, os três partidos apontam para “aparentes falhas graves” recentes na gestão do INEM, em particular pela falta de meios e mudanças na liderança do instituto.

Recordam ainda que uma auditoria da Inspeção-Geral das Atividades em Saúde, divulgada em dezembro de 2024, identificou a inexistência de uma estratégia de retenção de profissionais, a inoperacionalidade de um terço da frota e um aumento da taxa de chamadas abandonadas.

Entre as alterações, Livre, PCP e BE salientam que as delegações regionais do Norte, Centro e Sul deixam de constar da orgânica, ficando a organização interna dependente de estatutos ainda por publicar, e que o INEM “deixa de certificar a formação e de licenciar as ambulâncias de socorro”, perdendo “competências que o afirmavam como autoridade técnica e reguladora”.

Paulo Muacho acrescentou ainda que, entre Livre, PCP e BE, apenas foi consensualizado o pedido de apreciação parlamentar e não propostas de alteração, mas considerou que deverá haver matérias em que os três partidos estarão de acordo.

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