A Polícia Civil do Rio de Janeiro anunciou hoje a prisão de cinco suspeitos de integrar uma organização criminosa interestadual especializada no roubo e distribuição de medicamentos oncológicos e imunossupressores.
Segundo a polícia, o grupo utilizava empresas de fachada para reintroduzir os medicamentos roubados no mercado e ocultar o património obtido com os crimes.
Os criminosos tinham apoio da fação criminosa Terceiro Comando Puro (TCP) e movimentou 33 milhões de reais num ano, o equivalente a 5,68 milhões de euros na cotação atual.
No comunicado, a polícia refere que o TCP fornecia “apoio bélico e proteção ao núcleo de roubadores”, enquanto outro grupo tratava do armazenamento, fracionamento e envio das cargas roubadas.
A polícia atribui ao grupo pelo menos 20 roubos de cargas nos últimos seis meses e afirma que os medicamentos eram destinados tanto à rede privada como à rede pública de saúde.
A investigação concluiu que o material roubado era posteriormente reinserido em instituições públicas de saúde através de licitações.
Segundo os investigadores, os produtos eram oferecidos por valores inferiores aos do mercado regular, permitindo a entrada de mercadorias de origem criminosa na cadeia formal de abastecimento.
A polícia identificou cerca de 25 empresas de fachada nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás e Pará, utilizadas para a receptação e revenda dos medicamentos roubados.
Os investigadores pediram ainda o bloqueio de 30 milhões de reais (5,16 milhões de euros) em contas bancárias, além de apreensão de imóveis, veículos de luxo e “outros bens e valores utilizados pelo bando para ocultar o património”.
A Polícia Civil do Rio de Janeiro alertou que o esquema representa risco para a saúde pública, uma vez que medicamentos oncológicos e imunossupressores exigem controlo rigoroso de temperatura e armazenamento durante o transporte.