As autoridades da Faixa de Gaza, controlada pelo grupo islamita Hamas, alertaram hoje para uma “escassez sem precedentes” de medicamentos essenciais para doentes oncológicos e pediram à comunidade internacional medidas urgentes para resolver a situação.
“Uma grave e sem precedentes escassez de medicamentos essenciais para os doentes oncológicos está a levar o sistema de saúde ao nível mais crítico”, alertou o Ministério da Saúde de Gaza, sublinhando que alguns medicamentos “esgotaram completamente”, incluindo tratamentos de quimioterapia e outros “tratamentos de apoio”.
O Ministério da Saúde de Gaza declarou, nas redes sociais, que os protocolos de quimioterapia para doentes com cancro da mama, cólon e reto, assim como para aqueles com tumores gastrointestinais, de cabeça e pescoço, foram suspensos.
As autoridades de saúde acrescentaram que a escassez de medicamentos oncológicos está a dificultar os preparativos para a quimioterapia combinada.
"A falta de injeções para fortalecer o sistema imunitário, que devem ser administradas aos doentes após as sessões de quimioterapia, torna-os mais suscetíveis a complicações da doença e a infeções graves", alertou o Ministério, sublinhando que "a falta de cuidados paliativos e de alívio da dor agrava o estado crítico de saúde dos doentes oncológicos".
Esta situação em Gaza ocorre devido aos contínuos ataques israelitas e as restrições à saída do enclave, apesar do acordo de cessar-fogo alcançado em outubro de 2025 entre Israel e o Hamas.
O Ministério explicou que quatro mil doentes oncológicos, dos 11.000 autorizados a viajar para o estrangeiro para tratamento, "ainda aguardam permissão para viajar", antes de reiterar que a situação atual em Gaza "coloca as suas vidas em perigo real".
Assim, as autoridades de saúde de Gaza apelaram a "todas as organizações internacionais e humanitárias para que respondam urgentemente aos apelos destes doentes sitiados, cujo sofrimento aumenta a cada hora devido à falta de tratamento para a sua doença".
Israel iniciou a ofensiva militar sobre Gaza depois de o Hamas ter atacado o território israelita em 07 de outubro de 2023, causando mais de 1.200 mortos e cerca de 250 pessoas foram raptadas.