A Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV) prevê instalar mais de mil armadilhas na Região dos Vinhos Verdes até ao final de 2027 para combater a doença flavescência dourada, que pode matar a videira.
Em comunicado divulgado hoje, a CVRVV refere que, para o efeito juntou-se ao Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC) e ao Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV) para desenvolver o projeto denominado VineShield-DT, que pretende mudar a forma como a região dos vinhos verdes vigia e protege as vinhas de “uma das ameaças mais persistentes da viticultura portuguesa”.
Segundo os responsáveis do projeto, atualmente estão instaladas 15 armadilhas no terreno, integradas na fase piloto, pensada para testar e afinar o sistema antes de qualquer alargamento futuro da rede.
Ao INESC TEC coube desenvolver a “plataforma digital que transforma os dados recolhidos no terreno em mapas de risco e alertas”, e demonstrar “o modelo preditivo capaz de antecipar para onde a doença e o seu inseto vetor, o ‘scaphoideus titanus’, se vai espalhar a seguir, e a rede de armadilhas inteligentes que, aos poucos, vão substituir a inspeção manual por deteção em tempo real”.
Até ao final de 2027, o número de armadilhas previstas na região será superior a mil e a CVRVV está já a preparar os próximos passos junto dos produtores, avança a comissão.
Entre as medidas previstas constam ‘workshops’ para formar viticultores na utilização da tecnologia VineShield-DT, incluindo as armadilhas e a aplicação móvel do projeto (que permite também que técnicos e produtores possam reportar vinhas abandonadas e outras observações relevantes no terreno, alimentando diretamente o sistema com informação que escapa à vigilância oficial no dia a dia), acrescenta o comunicado.
Citada pelo comunicado, a presidente da CVRVV, Dora Simões, referiu que “o VineShield-DT (…) não nasce de uma intuição isolada - o estudo desta doença já estava previsto no Inquérito de I&D+I [Investimento, Desenvolvimento e Inovação] e na Agenda de I&D+I da Região dos Vinhos Verdes - e o combate a pragas e doenças foi apontado pelos próprios produtores da região como a principal prioridade ambiental, com 82,3% das respostas a assinalá-lo”.
“O desenvolvimento deste projeto com as entidades parceiras e a implementação de uma plataforma digital e do digital twin [réplica virtual em tempo real de um objeto, processo ou sistema físico] da vinha, permitem a criação de uma rede de cerca de mil armadilhas inteligentes que se está a implementar em benefício da Região dos Vinhos Verdes, da vinha e do vinho em Portugal e de maior sustentabilidade do negócio do vinho para os produtores”, disse.
O VineShield-DT insere-se na iniciativa DigitalTwins4SmartTerritories (DT4ST), promovida pela Agência para a Reforma Tecnológica do Estado (ARTE) em parceria com a Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), conclui o comunicado.
De acordo com um boletim técnico do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, a doença da Flavescência dourada da videira é provocada por um fitoplasma e foi recentemente introduzida em Portugal, onde tem vindo a causar graves prejuízos na vinha.
A legislação nacional contém medidas destinadas à erradicação no território nacional do fitoplasma e à contenção da dispersão do inseto vetor.