Sete trabalhadores humanitários norte-americanos envolvidos na luta contra o Ébola na República Democrática do Congo (RDCongo) encontram-se em quarentena num centro norte-americano no Quénia, segundo os EUA, mas o governo queniano diz desconhecer.
De acordo com a agência francesa de notícias, a France-Presse (AFP), o Departamento de Estado dos Estados Unidos da América (EUA) e a Organização Não Governamental que emprega estes sete norte-americanos confirmaram a sua presença em quarentena num centro com uma capacidade prevista de 50 camas.
Contactado pela AFP, o ministro da Saúde do Quénia, Aden Duale, afirmou "não ter conhecimento do assunto", embora um responsável do Departamento de Estado dos EUA tenha indicado que "as autoridades quenianas tinham autorizado" a sua colocação "no centro, sob a supervisão de médicos do serviço de saúde pública dos EUA".
Esta é a primeira vez que os EUA confirmam que um seu cidadão está em quarentena neste centro que tinha sido suspenso pela Justiça do Quénia.
Duale tinha-se comprometido, em meados de junho, a suspender a abertura deste centro de quarentena, construído por Washington para os seus cidadãos potencialmente expostos ao vírus Ébola, que provocou uma epidemia de febre hemorrágica declarada em meados de maio na República Democrática do Congo (RDCongo).
O centro está instalado na base aérea de Laïkipia, a cerca de 200 km a norte da capital, Nairobi, mas o anúncio da sua instalação no Quénia suscitou a ira de muitos quenianos, cujo país não partilha fronteira com a RDCongo e nunca foi afetado pelo vírus.
Três pessoas foram mortas em manifestações contra esta estrutura.
As autoridades norte-americanas proíbem os seus cidadãos de regressarem diretamente da RDCongo para os Estados Unidos devido à epidemia de Ébola.
Os norte-americanos que participaram "na resposta ao Ébola na RDCongo instalaram-se voluntariamente no centro no Quénia, para isolamento e vigilância preventivos", explicou num e-mail à AFP um responsável do Departamento de Estado, acrescentando: "Todos estão assintomáticos e, até ao momento, não apresentaram resultados positivos para o Ébola".
Foram confirmados mais de 2 mil casos de infeção e registadas cerca de 800 mortes na RDCongo desde o início da epidemia, que continua a propagar-se no país.
O Uganda, vizinho da RDCongo e do Quénia, conseguiu conter a epidemia; foram registados 20 casos, dos quais dois mortais, mas o último doente, já curado, recebeu alta do hospital na quinta-feira.