O redimensionamento do Hospital de Ponta Delgada está orçado entre 280 e 300 milhões de euros, com o Orçamento Regional de 2027 a inscrever uma verba para o processo, informou hoje o presidente do Governo dos Açores.
José Manuel Bolieiro - que apresentou, em Ponta Delgada, aos partidos com assento parlamentar o programa funcional do Hospital Divino Espírito Santo (HDES) - afirmou, após o encontro, que “a proposta que o Governo Regional apresentará para o Orçamento de 2027 garante já verbas necessárias ao inicio de todo o processo”.
Bolieiro salvaguardou que se trata de avançar “desde logo com o pós-programa funcional de arquitetura” e “corresponder mesmo à obra possível, de seguida”.
O líder do executivo açoriano recordou que o Governo da República, “não apenas com a palavra, logo na primeira hora”, após o incêndio do HDES em 2024, “mas também através de uma resolução do Conselho de Ministros, comprometeu-se em assegurar o financiamento em 85%”.
José Manuel Bolieiro disse esperar que o redimensionamento do HDES esteja concluído no “final desta década”, sendo que o executivo açoriano vai “articular com o Governo da República as suas possibilidades” no quadro do “compromisso de cofinanciamento”.
O presidente do Governo Regional admitiu que “pode haver ainda soluções mais favoráveis”, como o financiamento comunitário da obra, a par do “compromisso assumido, com valor jurídico-político”, pela República.
De acordo com o esboço do Programa Funcional do HDES, no atual hospital modular irá funcionar o novo centro de ambulatório do HDES, que incluirá a consulta externa e hospital de dia.
O atual programa funcional prevê a construção de novos edifícios (60% de área de ampliação) e remodelação dos restantes (40% de área de remodelação).
Está prevista a construção dos novos corpos de urgência e UCI, assistencial, medicina hiperbárica, centro de ambulatório, edifício da hemodiálise, nova área multiúsos, que contempla edifícios da logística, da administração e serviços administrativos, áreas de formação e investigação e ecocentro hospitalar.
Prevê-se que “até final de 2027 o processo esteja concluído com o lançamento do concurso público internacional para a requalificação, redimensionamento e reparação do HDES”.
Está projetado o aumento das camas de internamento de 437 para 500, com possibilidade de expansão para 641 em situações de necessidade, o aumento do bloco operatório com 10 salas de cirurgia programada, bem como a duplicação do bloco de partos, passando de uma para duas salas.
A consulta externa vai crescer de 60 para 139 gabinetes, o número de postos de hemodiálise passam de 23 para 35 monitores, havendo uma “especial atenção a áreas sob forte pressão do HDES”, como o serviço de urgência, a unidade de cirurgia de ambulatório e os hospitais de dia (com especial atenção para a área de oncologia).
O desenvolvimento do programa funcional resultou de "um processo participativo multidisciplinar, num total de 50 reuniões com mais de 75 intervenientes”.