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Odemira e Mértola querem afirmar territórios rurais como espaços de inovação

LUSA
17-07-2026 15:52h

Os municípios de Odemira e Mértola, no distrito de Beja, vão desenvolver uma estratégia conjunta para afirmar os territórios rurais como espaços de inovação, conhecimento, sustentabilidade e criação de valor.

Temos uma visão comum de que a produção de conhecimento e a inovação são fatores decisivos no desenvolvimento dos territórios e isso também acontece nos territórios rurais”, defendeu o presidente da Câmara de Odemira, Hélder Guerreiro.

Esta estratégia está assente num memorando de entendimento assinado, na quinta-feira, entre o autarca de Odemira e o presidente da Câmara de Mértola, Mário Tomé.

O acordo estabelece um quadro de cooperação assente no conceito de “Novas Centralidades”, reforçando a capacidade destes dois territórios para gerar conhecimento e inovação, atrair investimento, empresas e talento e responder aos desafios demográficos, ambientais, económicos e sociais. 

No entender de Hélder Guerreiro, é necessário contrariar a ideia de que os territórios rurais são espaços sem capacidade de inovação. 

“Muitas vezes a política pública nacional pensa que, de facto, os territórios rurais são territórios vazios de ideias, de inovação, de estrutura e acabam por aplicar políticas públicas que são cegas a estes territórios”, argumentou.

Através deste acordo, acrescentou, estes municípios alentejanos querem “afirmar que nestes territórios há uma aposta na produção de conhecimento, na inovação” e na “criação de valor a nível nacional”.

Em comunicado, a Câmara de Mértola explicou que a adaptação às alterações climáticas e regeneração da paisagem, a valorização da bioeconomia e dos recursos endógenos, a ciência e inovação territorial e a digitalização são algumas das áreas prioritárias desta parceria.

O memorando prevê igualmente o desenvolvimento de laboratórios vivos e candidaturas conjuntas a programas de financiamento nacionais, europeus e internacionais.

Entre as iniciativas prioritárias está a constituição de dois territórios-piloto para a aplicação nacional daquilo que o documento designa como “Nova Lei do Restauro da Natureza”. 

“O nosso objetivo é trabalhar com a ministra do Ambiente, no sentido de que, em setembro, quando tiver de apresentar esse plano a Bruxelas, possa também apresentar dois territórios que querem ser territórios-piloto para a implementação de um conjunto de medidas”, sustentou Hélder Guerreiro. 

O acordo, que tem quatro anos de vigência, prevê ainda a criação de uma rede científica, entre a Estação Biológica de Mértola e a ARCO — Academia de Arte e Ciência de Odemira. 

Nas áreas sociais, o memorando prevê o desenvolvimento de redes territoriais de serviços, assentes na cooperação entre os dois municípios, sobretudo na saúde, educação, habitação e mobilidade. 

O memorando prevê o futuro alargamento da cooperação a outros municípios e regiões, constituindo uma Rede das Novas Centralidades.

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