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Partidos nos Açores divergem no programa funcional do HDES

LUSA
17-07-2026 18:05h

Os partidos nos Açores dividem-se quanto ao programa funcional do Hospital Divino Espírito Santo (HDES), apresentado hoje, e que prevê que o redimensionamento do HDES custe cerca de 300 milhões de euros e esteja concluído no “final desta década”.

O presidente do Governo Regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, apresentou hoje, em Ponta Delgada, aos partidos com assento parlamentar o programa funcional do HDES, que está orçado entre 280 e 300 milhões de euros.

O governante disse esperar que o redimensionamento do HDES esteja concluído no “final desta década” e que “a proposta que o Governo Regional apresentará para o Orçamento de 2027 garante já verbas necessárias ao início de todo o processo”.

O maior hospital dos Açores sofreu um incêndio em 04 de maio de 2024, que obrigou à transferência de todos os doentes para outras unidades de saúde da região, da Madeira e do continente, tendo sido construído um hospital modular junto ao edifício do HDES para assegurar a resposta dos cuidados de saúde.

À saída da reunião com o líder do executivo açoriano, na qual não estiveram PAN e CDS-PP, a representante do BE/Açores, Avelina Ferreira, referiu que o partido “vai estudar o programa funcional e dará a sua posição mais tarde”, mas adiantou que “preocupa o tempo" que a obra deve levar.

O líder do Chega/Açores, José Pacheco, disse estar “bastante agradado” com o programa funcional, mas ressalvou que a morosidade de todo o processo pode atirar as obras “para um prazo de cinco a dez anos”, sendo que “o maior hospital dos Açores continua parado”.

Carlos Silva, dirigente do PS/Açores, manifestou “grande preocupação com o financiamento” das obras, uma vez que “não há neste momento qualquer garantia [de ajuda] por parte do Governo da República”, estando-se perante “intenções que foram anunciadas pelo presidente do Governo” Regional.

Pelo PSD/Açores, Paulo Simões considerou que “a visão de alguns partidos da oposição em relação ao HDES é de miopia pura” porque “enquanto alguns olharam e quiseram colocar remendos” no hospital, “o Governo Regional teve a coragem” de relançar a infraestrutura para o futuro, uma vez que estava obsoleto, aproveitando o incêndio de 2024.

O vice-coordenador da IL/Açores, Venício Ponte, destacou que “a necessidade de intervenção no hospital já vem de há muitos anos” e que, “o que foi apresentado, se for efetivamente concretizado, será muito bom para a região, para todos os açorianos”, face ao aumento de camas, gabinetes da consulta externa, do bloco de partos e operatórios, entre outros.

Por seu turno, a representante do PPM/Açores, Sandra Alemão, referiu que o documento apresentado “está de acordo com aquilo que se pretende, que é melhor e mais saúde, permitindo também que os profissionais de saúde tenham mais condições”.

Na apresentação do programa funcional, José Manuel Bolieiro recordou que o Governo da República “comprometeu-se em assegurar o financiamento em 85%” para a obra de redimensionamento do HDES, mas admitiu que “pode haver ainda soluções mais favoráveis”, como o financiamento comunitário.

De acordo com o esboço do Programa Funcional do HDES, no atual hospital modular irá funcionar o novo centro de ambulatório do HDES, que incluirá a consulta externa e hospital de dia.

Está também prevista a construção dos novos corpos de urgência e UCI, assistencial, medicina hiperbárica, centro de ambulatório, edifício da hemodiálise, nova área multiúsos, que contempla edifícios da logística, da administração e serviços administrativos, áreas de formação e investigação e ecocentro hospitalar.

O projeto contempla ainda o aumento das camas de internamento de 437 para 500, com possibilidade de expansão para 641 em situações de necessidade, o aumento do bloco operatório com 10 salas de cirurgia programada, bem como a duplicação do bloco de partos, passando de uma para duas salas.

A consulta externa vai crescer de 60 para 139 gabinetes, o número de postos de hemodiálise passam de 23 para 35 monitores, havendo uma “especial atenção a áreas sob forte pressão do HDES”, como o serviço de urgência, a unidade de cirurgia de ambulatório e os hospitais de dia (com especial atenção para a área de oncologia).

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