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Ébola: Número de mortos sobe para 600 e epidemia alastra a mais zonas da RDCongo

Lusa
09-07-2026 16:43h

O número de mortos devido ao Ébola na República Democrática do Congo (RDCongo) subiu para 600, e, segundo a agência de saúde da União Africana (UA), a atual epidemia tem "a propagação mais rápida de que há registo”.

O último balanço oficial aponta 600 mortes, de um total de 1.759 casos confirmados, desde o início da atual epidemia na RDCongo, e duas mortes em 20 casos confirmados, no vizinho Uganda.

A epidemia de doença pelo vírus Ébola, primeiro declarada como surto a 15 de maio na República Democrática do Congo (RDCongo), está a espalhar-se mais rapidamente do que qualquer outra anterior, afirmou o chefe de emergências do Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças (Africa CDC, na sigla em inglês), a agência de saúde da UA.

"Continuamos a enfrentar a epidemia de Ébola de propagação mais rápida de que há registo", não apenas entre os surtos do vírus Bundibugyo, “mas entre todos os diferentes vírus que causam Ébola", disse Wessam Mankoula durante uma conferência de imprensa virtual.

"Infelizmente, o vírus continua a espalhar-se mais rapidamente do que a nossa capacidade de resposta. Está a disseminar-se mais rapidamente do que os recursos mobilizados para controlar a situação", reforçou o responsável.

Entretanto, há suspeitas de novos casos fora do epicentro declarado em Ituri em 15 de maio.

O Governo da RDCongo reportou na noite de quarta-feira casos suspeitos de Ébola em províncias que não tinham sido afetadas anteriormente.

De acordo com o Ministério da Saúde congolês, estes casos foram registados nas províncias de Tshopo e Haut-Uele, e sinalizam a contínua propagação da doença para além do epicentro em Ituri.

O relatório apontava dois novos casos suspeitos em Kisangani, na província de Tshopo, mas não refere quantos casos são suspeitos em Haut-Uele.

Segundo o relatório, um dos dois casos suspeitos em Tshopo estava ligado à zona de saúde de Nia-Nia, na província de Ituri, onde foram reportados os primeiros casos, enquanto o outro caso “não tem qualquer ligação geográfica aparente com surtos conhecidos”.

A RDCongo já sofreu 17 epidemias e surtos de Ébola, mas não existe vacina ou tratamento específico para o vírus Bundibugyo.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) tinha alertado, em 19 de maio, para a "escala e velocidade" da propagação da epidemia no leste da RDCongo.

Por sua vez, a organização não-governamental Médicos Sem Fronteiras (MSF) manifestou em meados de junho preocupação com as "lacunas perigosas" na resposta à epidemia, que estava a "progredir mais rapidamente do que a resposta".

Esta é já a terceira pior epidemia de Ébola da história e só é ultrapassada pela que atingiu a África ocidental entre 2014 e 2016, que fez cerca de 11.000 mortos e 28.000 infetados; e por outra que afetou o leste da RDCongo entre 2018 e 2020, causando 2.299 mortes e 3.481 casos.

   O vírus Ébola transmite-se por contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e provoca febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragias internas.

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