Quase dois terços dos militares israelitas que procuram tratamento na Divisão de Reabilitação do Ministério da Defesa fazem-no devido a sofrimento psicológico ou stress pós-traumático, segundo um estudo oficial hoje anunciado.
No documento divulgado pela agência espanhola EFE, o Ministério da Defesa contabilizou 26.200 soldados que contactaram a Divisão de Reabilitação desde 07 de outubro de 2023, data dos ataques do grupo islamita palestiniano Hamas em Israel, que desencadearam a guerra na Faixa de Gaza, a que se adicionaram outras frentes de conflito na região.
Daquele total, cerca de 17 mil militares assistidos pelo serviço de reabilitação desde outubro de 2023 relataram danos psicológicos e 7.700 sofreram lesões físicas.
"O número de membros das Forças de Defesa de Israel e de forças de segurança feridos em todas as guerras deverá ultrapassar os 90 mil até 2026, um aumento expressivo de mais de 40% em três anos", referiu o relatório.
O Ministério da Defesa alertou que o sistema de reabilitação para feridos de guerra, que inclui os afetados por problemas de saúde mental, "corre o risco de entrar em colapso".
Nesse sentido, avisou que, até 2028, o serviço de reabilitação deverá atender cerca de 100 mil casos, metade dos quais devido a problemas psicológicos.
O estudo revelou que cerca de 62% do total de efetivos apoiados pertencem à reserva, 21% são jovens a cumprir o serviço militar obrigatório, 10% são polícias e apenas 7% estão no ativo.
Os dados indicaram também que 92% dos feridos são homens, 48% têm menos de 30 anos, enquanto 30% têm entre 30 e 39 anos e 22% mais de 40.
Pelo menos 60 soldados, entre reservistas e militares no ativo, suicidaram-se em Israel entre 07 de outubro de 2023 e abril deste ano, dez dos quais este ano, segundo um levantamento divulgado pelo jornal Haaretz.
Um relatório publicado pelo Centro de Investigação e Informação do Knesset (parlamento) em outubro passado constatou que, entre janeiro de 2024 e julho de 2025, 279 militares no ativo tentaram pôr termo à vida.
Além da Faixa de Gaza, onde vigora uma trégua desde outubro do ano passado embora prossigam os ataques de Israel, as forças israelitas mantêm uma frente ativa contra o grupo xiita Hezbollah no Líbano e expandiram a ocupação no sul do país vizinho desde março, no seguimento do início da guerra com o Irão.
Também as frentes iraniana e libanesa estão sujeitas a um cessar-fogo, apesar do descontentamento público das autoridades israelitas em relação ao acordo preliminar alcançado entre Washington e Teerão, enquanto a ofensiva contra alegados alvos do Hezbollah continua.
Nos últimos três anos, Israel esteve ainda em confronto com os rebeldes Huthis no Iémen e milícias islamitas no Iraque, ao mesmo tempo que disparou a violência na Cisjordânia ocupada, associada ao aumento de operações das forças israelitas e ataques atribuídos a colonos extremistas.