O Governo dos Açores garantiu hoje que já estão em curso iniciativas para concretizar as recomendações do projeto DESpertar, para combate ao sedentarismo e à obesidade infantil, assegurando que os indicadores da prática desportiva na região "estão em crescendo".
“A implementação das recomendações exige uma articulação entre diferentes departamentos governamentais e entidades externas, processo que já começou a ser trabalhado pelas direções regionais da Educação e do Desporto”, disse à agência Lusa a secretária regional da Educação, Cultura e Desporto, Sofia Ribeiro, quando questionada sobre um requerimento da IL/Açores, que pede esclarecimentos ao Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM) sobre o seguimento dado ao projeto DESpertar.
No requerimento, a IL alerta que, quase dois anos após a apresentação dos resultados, continua por esclarecer que medidas foram efetivamente implementadas.
O Projeto DESpertar é um estudo científico encomendado pelo Governo dos Açores à Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, inserido num plano alargado de estudos sobre o crescimento físico, desenvolvimento motor, prática desportiva, níveis de atividade física, fatores de risco metabólico e comportamentos de saúde de crianças e jovens e famílias açorianas.
O relatório final do projeto de investigação científica revelou que taxas de excesso de peso e obesidade que afetam cerca de quatro em cada 10 crianças açorianas.
Os dados recolhidos visam definir estratégias concretas de combate à “pandemia motora”, promovendo a inclusão social e o acesso a atividades desportivas adaptadas às necessidades dos jovens do arquipélago.
Em declarações à Lusa, Sofia Ribeiro sustentou que o projeto “não fica circunscrito à ação da Direção Regional da Educação”, salientando que a mais-valia da iniciativa “é promover uma alteração de âmbito social nos hábitos de vida saudável das crianças desde tenra idade”.
A governante explicou que a implementação das recomendações exige uma articulação entre diferentes departamentos governamentais e entidades externas, processo que “já começou a ser trabalhado” pelas direções regionais da Educação e do Desporto, com ações ao nível das próprias escolas e envolvendo já alguns clubes e associações.
Segundo a secretária regional, já decorrem ações nas escolas que envolvem clubes e associações desportivas, permitindo complementar a atividade letiva com iniciativas de promoção da atividade física e encaminhar os alunos para a prática desportiva organizada.
A estratégia está também a ser desenvolvida em articulação com a área da Saúde, acrescentou Sofia Ribeiro.
Por outro lado, a secretária regional referiu que a estratégia está ainda numa fase de construção, uma vez que exige contactos interdepartamentais e com entidades parceiras para avaliar a disponibilidade e capacidade de participação de cada uma.
Sofia Ribeiro assegurou que “já existe um conjunto de iniciativas no terreno” que antecipam a futura implementação formal da estratégia, tendo destacado a intervenção da Direção Regional do Desporto junto de clubes e associações, bem como a antecipação da idade de entrada nas “escolinhas do desporto” para os três anos, “medida implementada pelo atual Governo, quando anteriormente a atividade apenas começava aos seis anos”.
A secretária regional salientou ainda que têm sido estabelecidos contactos com diversas associações para que desenvolvam projetos de promoção da atividade física nas idades mais precoces, permitindo posteriormente harmonizar essas iniciativas numa estratégia comum.
De acordo com a secretária regional da Educação, têm sido promovidas ações em parceria com o Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ), tanto através de formação nas escolas como de campanhas de sensibilização dirigidas à comunidade, incluindo iniciativas nas redes sociais.
A governante sustentou que “há uma melhoria dos indicadores da taxa de participação desportiva”, com aumento do número de praticantes, de atletas federados e dos resultados obtidos a nível nacional, bem como um maior investimento ao nível dos Jogos Desportivos Escolares.
No requerimento entregue na Assembleia Legislativa Regional, a IL recorda que o projeto envolveu mais de cinco mil alunos de todas as ilhas dos Açores, foi reconhecido pelo Conselho do Governo como Projeto de Interesse Regional e mobilizou cinco direções regionais, representando um investimento público na ordem dos 70 mil euros, além da afetação de recursos humanos especializados.
“Aproximando-se o segundo aniversário da apresentação dos resultados do estudo, permanece pouco claro qual o seguimento efetivamente dado ao trabalho desenvolvido, quais as medidas implementadas e quais os resultados entretanto alcançados”, refere a IL no requerimento apresentado pelo deputado único no parlamento açoriano, Nuno Barata.