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Quase todas as crianças do mundo expostas a riscos climáticos, diz agência da ONU

REUTERS
16-06-2026 10:05h

Quase todas as crianças do mundo estão expostas a pelo menos um risco climático, com até 1,8 mil milhões em perigo devido a secas e 1,2 mil milhões expostas a calor extremo, afirmou o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) num relatório divulgado na terça‑feira.

O UNICEF indicou que as crianças são “afetadas de forma desproporcionada” por uma série de riscos climáticos cada vez mais intensos e que os governos precisam urgentemente de investir em infraestruturas, adaptação e capacidades de gestão de desastres para reduzir a sua exposição.

Segue-se um resumo de alguns dos principais pontos do relatório Children’s Climate Risk Report do UNICEF:

  • O relatório analisou uma vasta gama de riscos climáticos, bem como o impacto da poluição do ar e os riscos de doenças transmitidas por vetores, como a malária. Também considerou dados sobre o acesso à água, aos cuidados de saúde e aos serviços sociais em todo o mundo.
  • Até 1,1 mil milhões de crianças em todo o mundo estavam expostas a pelo menos três riscos climáticos sobrepostos, alerta o relatório, avisando para uma “perigosa cascata de múltiplos riscos interligados” que pode sobrecarregar governos e serviços sociais.
  • “Não é apenas a exposição a riscos isolados, como inundações, secas, ondas de calor e calor extremo, que as crianças enfrentam, mas sim a exposição a múltiplos riscos”, afirmou Rohini Sampoornam Swaminathan, gestora de estatísticas do UNICEF e uma das autoras do relatório.
  • Até 662 milhões de crianças estavam em risco devido a tempestades tropicais, 337 milhões devido a cheias fluviais e 33 milhões a inundações costeiras, sendo que mil milhões de crianças também estavam expostas à malária, sobretudo em África.
  • Em 2024, 242 milhões de crianças em 85 países viram a sua escolaridade interrompida devido a riscos climáticos.
  • O UNICEF identificou a Somália, Madagáscar, Mianmar, Camboja e Paquistão como os países mais vulneráveis.
  • Os maiores números de crianças expostas à seca vivem em economias dependentes da agricultura, como Bangladesh, Indonésia, Nigéria, Paquistão e Tanzânia.
  • As crianças em países sem litoral enfrentam também riscos “desproporcionados” de seca, desertificação, stress térmico e cheias repentinas, prevendo-se que o stress hídrico se intensifique em países como o Botsuana e o Burkina Faso.
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