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Criada minicápsula ingerível que mede temperatura corporal em tempo real

LUSA
16-06-2026 00:47h

Uma equipa de investigadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, desenvolveu um sensor ingerível do tamanho de um mirtilo minúsculo para medir com precisão e em tempo real a temperatura corporal.

A descoberta, descrita na revista Nature Electronics, permite detetar rapidamente se uma pessoa apresenta uma infeção ou corre o risco de sofrer um pico de febre perigoso, noticiou na segunda-feira a agência Efe.

A grande novidade, em relação aos sensores de temperatura ingeríveis existentes, é o seu tamanho reduzido, com 6 milímetros de diâmetro e 4 milímetros de altura, o que o torna fácil de ingerir e apresenta um menor risco de obstrução do trato gastrointestinal.

Para criar um dispositivo mais pequeno, os investigadores reduziram o tamanho de todos os componentes principais: o circuito sensor de temperatura, a antena que transmite os dados de temperatura e a bateria.

Quanto ao circuito sensor, criaram um próprio e personalizado que cabe num chip de silício de 1 milímetro quadrado.

O circuito deteta a temperatura com uma precisão de 0,01 graus Celsius e requer muito pouca energia (cerca de 10 nanowatts), pelo que pode ser alimentado por uma pilha de botão de 1,55 volts, que mede 4,8 milímetros de diâmetro e tem uma espessura de aproximadamente 1,6 milímetros.

O novo design reduz ainda mais o consumo de energia através da utilização de uma estratégia conhecida como retrodispersão: uma antena externa situada fora do corpo, a cerca de 30 ou 60 centímetros do sensor, calcula o valor da temperatura interna a cada segundo, o que permite um controlo contínuo.

"Um sensor como este permite-nos monitorizar infeções e identificá-las precocemente, algo muito relevante para populações de risco, como pessoas imunodeprimidas devido a tratamentos de quimioterapia ou medicamentos imunossupressores", salientou um dos autores, Giovanni Traverso, professor do MIT e gastroenterologista no hospital Brigham and Women, em Boston.

O dispositivo facilitaria medições de temperatura mais precisas para medir a temperatura corporal central como indicador de ovulação, para fins de fertilidade, para controlar a febre em crianças, ou para a monitorização de pacientes durante e após a anestesia, que costuma alterar os mecanismos normais de regulação da temperatura corporal.

Para explorar estas possíveis utilizações, os investigadores testaram os sensores em animais enquanto estes se encontravam sob o efeito da anestesia e descobriram que conseguiam detetar e transmitir com precisão as informações sobre a temperatura.

Também obtiveram leituras precisas de animais que estavam acordados e em movimento ativo.

Os investigadores estão atualmente a estudar como combinar a cápsula com outros sensores capazes de medir sinais vitais, como a frequência cardíaca, e esperam testá-los em ensaios clínicos nos próximos anos.

"Acredito que o nosso sensor poderá substituir todos os termómetros, porque é a forma mais precisa de medir a temperatura", concluiu Traverso num comunicado.

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