Vários manifestantes foram detidos pela polícia hoje em Nanyuki, no Quénia, durante um protesto contra um centro de quarentena que vai receber americanos expostos ao Ébola, segundo a Agência France-Presse.
Dezenas de pessoas concentraram-se perto da base aérea de Laikipia, perto da cidade de Nanyuki (centro do Quénia), algumas a usar equipamento de proteção e transportando um caixão com a inscrição "Ébola".
Os jornalistas da agência de notícias francesa deram conta de várias pessoas detidas pela polícia, que também lançou gás lacrimogéneo para dispersar os manifestantes.
"Não temos esta doença neste país... Estão a trazer um vírus para o nosso país", denunciou Zipporah Wachira, de 30 anos.
Centenas de habitantes locais já tinham protestado em frente ao campo de Laikipia no dia 01 de junho, tendo dois manifestantes sido mortos a tiro no local, segundo os defensores dos direitos humanos.
O projeto do centro de quarentena foi também contestado nos tribunais quenianos, que na semana passada ordenaram a sua suspensão em nome do “bem comum”, mas o Governo do Presidente William Ruto prometeu continuar o projeto, alegando que deve anos de ajuda financeira a Washington.
Em maio, o Governo queniano confirmou "conversações em curso" com a administração Trump para receber cidadãos norte-americanos expostos ao Ébola, na sequência da epidemia na República Democrática do Congo (RDCongo), em vez de serem enviados para os Estados Unidos.
A confirmação surgiu depois de o jornal norte-americano The New York Times ter noticiado que os Estados Unidos planeiam desviar para o Quénia os cidadãos norte-americanos expostos ao vírus para observação e tratamento, em vez de os repatriar, para serem atendidos em unidades médicas especializadas, como se fez em situações anteriores.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou em 17 de maio o atual surto de Ébola uma Emergência de Saúde Pública de Interesse Internacional. Dados divulgados anteriormente pelas autoridades sanitárias apontavam para mais de 900 casos e mais de 220 mortes na região, naquela que é a 17.ª epidemia de Ébola registada na RDCongo desde a identificação do vírus, em 1976.
No Uganda, nação que fechou as fronteiras com a RDCongo, o número de casos confirmados - todos na capital, Kampala - ascende a sete, incluindo uma morte (um congolês cujo contágio é considerado importado).
Esta epidemia é complexa devido à falta de vacinas e tratamentos aprovados para a estirpe Bundibugyo.
O vírus do Ébola transmite-se por contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e causa febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragias internas.