SAÚDE QUE SE VÊ

Moçambique sem casos de Ébola reforça vigilância e mantém centro nacional de testagem

LUSA
08-06-2026 22:05h

Moçambique vai manter o centro nacional de testagem da Ébola em funcionamento no Instituto Nacional de Saúde (INS) e reforçou a vigilância epidemiológica face ao surto que afeta países da região, apesar de até ao momento não ter registado qualquer caso, foi hoje anunciado.

“Gostaríamos de partilhar que até este momento Moçambique não tem registo de nenhum caso de Ébola confirmado”, disse o diretor nacional de Planificação e Cooperação e porta-voz do Ministério da Saúde moçambicano, José Manuel, durante uma conferência de imprensa sobre a situação epidemiológica do país e a evolução da doença por vírus Ébola na região africana.

Segundo o responsável, o surto da estirpe foi confirmado em maio na República Democrática do Congo (RDCongo) e no Uganda, tendo provocado até agora cerca de 505 casos e 80 mortes, dos quais 486 infeções e 78 óbitos registados na RDCongo, país considerado o epicentro da epidemia.

José Manuel explicou que Moçambique dispõe de capacidade laboratorial para diagnosticar e confirmar eventuais casos suspeitos através do INS, que funciona atualmente como centro nacional de referência para a testagem da doença e integra o plano de prontidão das autoridades sanitárias.

“Moçambique tem condições instaladas para o diagnóstico e confirmação de surto de Ébola ao nível do Instituto Nacional de Saúde e há prontidão criada para que possa se fazer a deteção imediata destas situações”, declarou.

O porta-voz acrescentou que a centralização da testagem no INS resulta de uma opção estratégica ligada aos custos e ao atual cenário epidemiológico, considerando que o país não regista casos da doença.

“Economicamente falando, é estratégico ter neste momento [a testagem] a nível do Instituto Nacional de Saúde. Em função da situação que possa desenvolver ao posterior, aí pode-se estudar a necessidade de expansão”, afirmou.

Entre as medidas em curso, o Ministério da Saúde destacou o reforço da vigilância epidemiológica, sobretudo nas províncias de Cabo Delgado e Niassa, devido ao movimento de pessoas proveniente da região dos Grandes Lagos através da Tanzânia, bem como a formação de equipas de resposta rápida, atualização de protocolos clínicos e realização de exercícios de simulação.

As autoridades sanitárias recordaram que o Ébola é transmitido através do contacto com animais infetados, fluidos corporais de pessoas doentes ou superfícies contaminadas, manifestando-se inicialmente por febre, dores de cabeça e musculares, podendo evoluir para sintomas hemorrágicos entre o quinto e o sétimo dia após o início da infeção.

“Foi já elaborado um plano de resposta rápido à ocorrência de algum caso no país”, disse José Manuel, acrescentando que a prevenção passa pela lavagem frequente das mãos, confeção adequada dos alimentos, evitar o contacto com animais selvagens e procurar assistência médica perante sintomas suspeitos.

O Ministério da Saúde alertou ainda para a circulação de informações não confirmadas nas redes sociais sobre alegados casos da doença, sublinhando que todas as suspeitas devem ser verificadas através das unidades sanitárias e dos mecanismos oficiais de vigilância epidemiológica.

Em 27 de maio, o Ministério da Saúde já tinha anunciado o reforço das medidas de prevenção e prontidão face à evolução do surto na RDCongo e no Uganda, garantindo então que Moçambique continuava sem registar qualquer caso. O país mantém capacidade laboratorial para testagem e isolamento do vírus, em coordenação com organismos regionais e internacionais.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou em 17 de maio o atual surto de Ébola uma Emergência de Saúde Pública de Interesse Internacional. Dados divulgados anteriormente pelas autoridades sanitárias apontavam para mais de 900 casos e mais de 220 mortes na região, naquela que é a 17.ª epidemia de Ébola registada na RDCongo desde a identificação do vírus, em 1976.

MAIS NOTÍCIAS