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Brasil suspende vacina contra dengue por possível ligação a duas mortes e 42 doentes

LUSA
08-06-2026 20:20h

O Governo brasileiro determinou hoje a suspensão temporária da vacinação contra a dengue após a confirmação de duas mortes e 42 casos de sintomas graves em doentes que receberam a vacina.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que "não há dados" que confirmem que a vacina, produzida pelo laboratório Butantan, seja a causa dos casos graves e das mortes, mas declarou que a vacinação foi suspensa por precaução.

"Não há dados que estabeleçam uma relação causal entre a vacina e os casos graves, mas é um sinal de alerta", disse Padilha numa conferência de imprensa em Brasília.

Apesar da medida, o ministro salientou que se trata de um "pequeno número" de reações adversas, considerando que um total de 500 mil doses foram administradas desde janeiro.

Estes doentes apresentaram sintomas semelhantes aos da dengue clássica, que evoluíram para quadros mais graves, como dor abdominal persistente e hemorragia, segundo Eder Gatti Fernandes, diretor do Programa Nacional de Vacinação.

A suspensão da administração da vacina é temporária, aguardando-se agora a conclusão dos testes necessários para determinar a segurança do medicamento.

Em janeiro, o governo brasileiro iniciou um programa piloto para imunizar a população entre os 15 e os 29 anos com esta vacina de produção nacional.

Os municípios selecionados para o programa piloto foram Maranguape, no Ceará (nordeste), Nova Lima, em Minas Gerais, e Botucatu, em São Paulo, ambos no sudeste do país.

Além da vacina do laboratório Butantan, está também disponível no Brasil outra vacina contra a dengue, fabricada pela empresa japonesa Odenga.

Em 2024, o Brasil registou números recorde de infeções e mortes por dengue, totalizando 6,5 milhões de casos prováveis e 6.321 óbitos pela doença, mas no ano passado as estatísticas melhoraram, com 1,6 milhões de infeções e 1.793 mortes.

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