As associações de enfermeiros e das parteiras de Moçambique convocaram hoje, para quinta-feira, uma marcha contra a não validação dos resultados das eleições na Ordem dos Enfermeiros, após o mesmo candidato vencer duas eleições.
“Nós vamos marchar em repúdio à não cedência do poder aos novos órgãos eleitos. De ressaltar que a atual direção da Ordem dos Enfermeiros já está fora do mandato desde agosto do ano passado. Então, praticamente eles já estão no terceiro mandato, o que, segundo os estatutos, é uma posição irregular”, disse Raul Piloto, presidente da Associação Nacional dos Enfermeiros de Moçambique (Anemo), durante uma conferência de imprensa, em Maputo.
Segundo o responsável, Jeremias Matecateca foi eleito bastonário “com uma vantagem significativa” na primeira eleição, entretanto anulada, e voltou a vencer o segundo escrutínio, tendo a ordem emitido um comunicado a confirmar a vitória provisória do candidato.
A proclamação provisória dos resultados da votação deixou a classe de enfermagem “tranquila”, após um escrutínio marcado por “muito barulho”, disse o responsável, referindo, entretanto, que os resultados definitivos não foram depois ratificados porque uma das listas submeteu uma providência cautelar sobre o processo.
O tribunal considerou improcedente a providência cautelar que travava a tomada de posse do novo bastonário, segundo alegou a Ordem, mas ainda assim a mesa da assembleia, cujo presidente também concorreu às eleições, não anunciou a data para a posse dos novos órgãos eleitos.
“Nós estamos a notar uma resistência, uma medida de se manterem no poder à revelia porque de uma forma democrática eles já saíram”, referiu Raul Piloto, manifestando preocupação sobre a democracia e justiça na classe de enfermagem.
A marcha pacífica, convocada pela Anemo e a Associação das Parteiras de Moçambique (Aparmo), vai iniciar-se às 09:00 (menos uma hora em Lisboa) em frente ao Ministério da Saúde moçambicano, em Maputo, com os profissionais a pedirem a colaboração da instituição para poderem exercer o seu direito “sem constrangimentos, assegurando que não haja prejuízo aos serviços essenciais”.
“Pedimos a todos os colegas que tragam a sua voz, a sua força e o seu compromisso com a justiça e a transparência. Unidos mostramos que a enfermagem é protagonista na defesa da democracia e dos direitos profissionais”, lê-se na convocação divulgada na página do Facebook da Anemo.