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Autarcas defendem comissão de acompanhamento para monitorizar fecho de urgências

LUSA
29-05-2026 19:41h

Os autarcas das áreas de influência dos hospitais de Vila Franca de Xira e Barreiro defendem a criação de uma comissão de acompanhamento para monitorizar o fecho de urgências obstétricas, disse hoje o presidente de Vila Franca de Xira.

Esta foi uma das medidas defendidas pelos autarcas da área de influência do Hospital Vila Franca de Xira (HVFX) e da Comunidade Intermunicipal da Península de Setúbal na ronda de audiências que tiveram com todos os grupos parlamentares da Assembleia da República, adiantou à agência Lusa Fernando Paulo Ferreira (PS).

Em causa está o encerramento das urgências de ginecologia e obstetrícia no Hospital de Vila Franca de Xira, no distrito de Lisboa, sendo os utentes encaminhados para o Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, e no Hospital do Barreiro, com encaminhamento para a unidade hospitalar Garcia de Orta, em Almada, e São Bernardo, em Setúbal.

Estiveram representados nas audições autarcas dos municípios de Vila Franca de Xira, Azambuja, Arruda dos Vinhos, Alenquer e Benavente, servidos pelo Hospital de Vila Franca de Xira, e do Barreiro, Almada, Alcochete, Moita, Montijo, Palmela, Seixal, Sesimbra e Setúbal, que integram a Comunidade Intermunicipal da Península de Setúbal.

“Conseguimos transmitir que, neste momento, há uma maior dificuldade de acesso, nomeadamente das grávidas, para partos aos hospitais” e que a criação de urgências centralizadas “não está a funcionar porque as grávidas não estão a ser encaminhadas todas para os hospitais definidos como urgências regionais”, explicou o presidente da Câmara de Vila Franca de Xira.

O Hospital de Vila Franca de Xira serve os municípios de Azambuja, Arruda dos Vinhos, Alenquer (distrito de Lisboa) e Benavente (distrito de Santarém), enquanto o do Barreiro serve os habitantes dos concelhos da Moita, Montijo, Alcochete e Barreiro (distrito de Setúbal).

Além da criação da comissão de acompanhamento, os municípios envolvidos solicitaram aos deputados que requeiram ao Ministério da Saúde o acesso ao estudo técnico que fundamentou os encerramentos daquelas urgências, cujo teor dizem desconhecer.

“Nenhum parlamentar tinha este estudo e nenhum presidente de câmara tem este estudo. E, portanto, solicitámos que os grupos parlamentares pudessem solicitar ao Ministério este estudo”, sublinhou o autarca de Vila Franca de Xira.

Os autarcas alertaram ainda os grupos parlamentares para o facto de a centralização dos serviços de obstetrícia estar a falhar por falta de reforço das equipas nos hospitais de destino e para a sobrecarga das corporações de bombeiros, cujos meios de socorro ficam retidos por longos períodos devido às distâncias.

Concluídas as rondas parlamentares, Fernando Paulo Ferreira adiantou que vão agora avançar com um pedido de reunião urgente a Adalberto Campos Fernandes, designado pelo Presidente da República para coordenador do Pacto Estratégico para a Saúde.

Os autarcas querem transmitir-lhe diretamente os receios de que os encerramentos provisórios se tornem definitivos.

“Continuaremos a lutar, dentro daquilo que nos for possível, pela reabertura das urgências”, assegurou.

O Hospital de Vila Franca de Xira foi inaugurado em março de 2013 para servir cerca de 250 mil habitantes.

O equipamento funcionou em regime de parceria público-privada com o Grupo Mello Saúde até 2021, altura em que transitou para o modelo de entidade pública empresarial.

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