Dois novos casos do vírus do Ébola foram detetados no Uganda, o que eleva para nove o número de contágios no país, em que se contabiliza também uma morte, comunicou hoje o Ministério da Saúde ugandês.
O diretor-geral dos Serviços de Saúde, Charles Olaro, precisou, num comunicado, que as equipas de resposta rápida isolaram o primeiro paciente assim que os sintomas foram detetados, enquanto o segundo se tratava de "um contacto de um caso previamente confirmado".
O Ministério da Saúde lembrou que a febre repentina, a fadiga, as dores musculares, os vómitos, a diarreia e as hemorragias são sintomas da doença e que, se forem reportados de forma precoce, "as probabilidades de sobrevivência são altas".
Na passada segunda-feira, as autoridades sanitárias ugandesas relataram outros dois novos casos confirmados do vírus do Ébola em profissionais de saúde ugandeses num centro de saúde privado de Kampala, capital do país.
Até ao início desta semana, o Uganda tinha confirmado sete casos positivos, enquanto o número de mortes confirmadas se mantém uma: um cidadão congolês cujo contágio é considerado importado.
O número de contágios suspeitos na África Central situa-se nos 1.077 com 246 mortes suspeitas, dos quais foram confirmados 129 casos na República Democrática do Congo (RDCongo), incluindo 18 óbitos distribuídos por 14 zonas sanitárias nas províncias de Ituri (epicentro da epidemia), Kivu Norte e Kivu Sul, segundo informou na quinta-feira a agência de saúde pública da União Africana (UA).
A epidemia atual corresponde à estirpe Bundibugyo do Ébola, cuja taxa de mortalidade oscila entre os 30% e os 50% e para a qual não existe vacina autorizada ou tratamento específico, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
No entanto, a agência de saúde pública da UA garantiu esta quinta-feira que até ao final do ano será lançada uma vacina.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, que está na RDCongo - nação vizinha de Angola - desaconselhou a restrição de entrada a viajantes provenientes desse país devido à epidemia de Ébola, por considerar que "não ajuda muito" a conter a doença e que "a melhor abordagem é intensificar as medidas na origem e prestar apoio".
Tedros encontra-se em Kinshasa, capital da RDCongo, para manter reuniões de trabalho com as autoridades, e tem previsto viajar para Bunia, capital de Ituri.
A OMS indicou que o vírus começou provavelmente a circular em Ituri cerca de dois meses antes de a epidemia ser declarada como uma "emergência de saúde pública de importância internacional", tendo considerado o seu risco como "alto" na África Subsariana e "baixo" à escala global.
Onze países de África, um dos quais Angola, encontram-se em "alto risco" de ser afetados pela epidemia daquele que é o décimo sétimo episódio registado na RDCongo desde que o vírus foi detetado pela primeira vez em 1976.