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PR moçambicano pede apoio internacional para eliminação "inadiável" da cólera até 2030

LUSA
22-05-2026 14:35h

O Presidente moçambicano pediu hoje apoio internacional para a implementação do plano nacional de eliminação da cólera até 2030, indicando como “prioridade inadiável” a erradicação da doença no país é face ao número de mortes que causa.

“Apelamos ao reforço do apoio internacional na implementação deste plano de eliminação da cólera em Moçambique de forma integrada e pelos demais países da região, contribuindo assim no fortalecimento da segurança sanitária global”, disse o chefe do Estado moçambicano, Daniel Chapo, numa mensagem enviada à Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (IFRC na sigla inglesa).

Na mensagem, divulgada durante a apresentação do Plano de Eliminação da Cólera (PEC) até 2030, em Genebra, Chapo apelou ao contínuo envolvimento dos parceiros de cooperação na luta contra a doença que, disse, nos últimos cinco anos espalhou a morte e afetou comunidades.

“Perante esta realidade, a eliminação da cólera constitui uma prioridade inadiável do nosso Governo e é com este espírito que aprovamos o PEC 2025-2030 alinhado aos esforços globais e regionais, centrado em ações multissetoriais que atacam as verdadeiras causas desta doença, com destaque para acesso à água potável, saneamento, higiene, educação comunitária e fortalecimento do sistema de saúde”, disse o Presidente moçambicano.

Moçambique registou 70.911 casos de cólera de 2016 a 2024, com 667 mortes, avançou hoje o Governo, na apresentação do plano para eliminar a doença, avaliado em 426,6 milhões de euros.

Presente no evento, o ministro da Saúde, Ussene Isse, apontou o baixo financiamento como uma das barreiras que trava o combate à cólera em Moçambique.

“A segunda barreira que temos é a questão da literacia, a questão da educação sobre as principais doenças do nosso país e temos acompanhado que um dos grandes desafios que temos são os rumores, a desinformação em relação à cólera e outras doenças (…) Isso nos preocupa bastante porque aumenta o número da mortalidade na comunidade”, disse.

Isse acrescentou que Moçambique enfrenta dificuldades para combater a cólera devido ao baixo nível de ‘stock’ de vacinas, e apelou à aposta na produção destes produtos hospitalares em África.

"Há um trabalho de continuar a mobilizar recursos ao nível das parcerias público-privado para buscar mais apoios para a implementação do plano, mas há também a intervenção comunitária, a questão da prevenção é extremamente importante e é um dos maiores investimentos, principalmente a educação”, explicou o ministro, referindo-se aos recursos para a implementação do plano.

O orçamento do plano é de 494,72 milhões de dólares (cerca de 426,6 milhões de euros), sendo que, do global, 71% (355,2 milhões de dólares) vão ser para melhorar o acesso a águas, com o setor da saúde a receber 27,5% do valor (136,3 milhões de dólares) para o controlo de surtos e vacinação.

Até 2030, o executivo quer baixar a incidência da cólera de 14,8 por cada 100.000 habitantes em 2023 para menos de 5/100.000 habitantes, reduzir a taxa de letalidade de 2,6% para menos de 1%, garantir o acesso à água, saindo dos 62% para mais de 69% até 2030, sobretudo nas zonas rurais, melhorar o saneamento, levar a cobertura de 37% para mais de 47,7% da rede hospitalar, assegurar a capacidade laboratorial em 80% nos distritos e avançar com a literacia até 90% da população.

Moçambique registou 123 casos de cólera em duas semanas de maio, ultrapassando os 9.000 infetados na atual epidemia, e o primeiro óbito desde março, elevando a 85 mortos desde setembro, segundo dados da Direção Nacional de Saúde Pública.

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