SAÚDE QUE SE VÊ
Magnific

Poluição atmosférica pode ser a causa de 9 milhões de casos de diabetes por ano

Lusa
13-05-2026 00:45h

A poluição atmosférica por partículas finas e dióxido de azoto pode ser a causa direta de aproximadamente nove milhões de casos de diabetes tipo 2 na Europa a cada ano, segundo um estudo.

No trabalho realizado pela Universidade de Múrcia (UMU) e o Centro Nacional de Supercomputação de Barcelona (BSC-CNS), os investigadores constataram que existe uma "relação direta e alarmante" entre a exposição prolongada a poluentes atmosféricos e a incidência de diabetes tipo 2 (DM2), a forma mais comum da doença.

Para chegar a esta conclusão, os investigadores utilizaram técnicas avançadas de modelação não linear e analisaram dados históricos de concentração atmosférica das últimas três décadas, entre 1991 e 2020.

Com base nestas análises, concluíram que o dióxido de azoto está associado a aproximadamente 3,7 milhões de casos de diabetes anualmente na Europa.

Além disso, a exposição a partículas finas eleva este número para 5 milhões de casos por ano, o que significa que, no total, quase 9 milhões de casos estão diretamente associados à poluição.

No total, ocorrem anualmente cerca de 66 milhões de casos deste tipo de diabetes na Europa, estimando-se um aumento de 10% destes números para os próximos anos.

De acordo com o estudo, as áreas com maior densidade de tráfego e atividade industrial, especialmente nas grandes cidades europeias e na Europa Central, apresentam a maior carga da doença atribuível à poluição.

Especificamente, o vale do Ruhr, na Alemanha, e o vale do Po, no norte da Europa, bem como grandes cidades europeias como Londres, Paris e Varsóvia, apresentam as concentrações mais elevadas.

Uma das principais conclusões do estudo é que as partículas finas no ar, conhecidas como PM2,5, representam um maior risco para o desenvolvimento de diabetes, mesmo em baixas concentrações, sugerindo que até mesmo níveis moderados de poluição têm um efeito prejudicial para a saúde.

Tanto este poluente como o dióxido de azoto excedem os níveis estabelecidos pelas novas regulamentações europeias e pelas orientações da OMS nas áreas industriais e urbanas de toda a Europa.

MAIS NOTÍCIAS