O PS defendeu hoje que o primeiro-ministro “tem que atuar” no setor da saúde e decidir se demite ou não a ministra, que tem tido “uma gestão errática” e que os socialistas consideram “não ter mais condições para continuar”.
“(…) Mas mais responsável do que a senhora ministra, eu só digo que é o senhor primeiro-ministro. Compete ao senhor primeiro-ministro prescindir da senhora ministra ou não”, disse Maria Antónia Almeida Santos, em nome do Secretariado Nacional do PS, que está hoje reunido.
De acordo com a dirigente do PS é evidente que Ana Paula Martins “tem tido uma gestão errática” e “não tem mais condições para continuar”.
“O primeiro-ministro tem que atuar, e há dois anos que andamos nisto, e portanto chega, desculpas, é preciso fazer alguma coisa, isto vai continuar a piorar, senão vai ser dramático”, desafiou, referindo-se a Luís Montenegro.
Maria Antónia Almeida Santos considerou que a ministra da Saúde “não tem conseguido ser competente nesta matéria”, sublinhando que já passaram dois anos.
“Os números não mentem. A saúde está hoje muito pior em Portugal do que há dois anos, quando o senhor primeiro-ministro tomou posse e dizer o contrário não é sério e é até um insulto à inteligência dos portugueses”, criticou.
A dirigente do PS criticou ainda que Luís Montenegro tenha sido o primeiro-ministro que “mais promessas fez, mais facilidades prometeu e que trazia planos e medidas que iam resolver o problema da saúde e do acesso dos portugueses à saúde”.
“Tudo falhou. Infelizmente temos um primeiro-ministro que ignorou, desconsiderou os problemas até estruturais da saúde, como por exemplo a carência de profissionais, o envelhecimento populacional, a maior procura de cuidados que já se anunciava depois de termos vivido a pandemia”, condenou, considerando avassaladores os indicadores revelados pela Entidade Reguladora da Saúde.
Questionada sobre outros temas, como a revisão constitucional e a forma como o PS irá ou não participar no processo desencadeado pelo Chega, Maria Antónia Almeida Santos disse que não queria “sair deste foco da saúde”.
“Com certeza que o partido há de ter uma posição concertada. Como sabe para essas decisões é preciso reunir órgãos, é preciso saber, mas como eu lhe digo, não é um tema que esteja em cima da mesa agora. Agora eu quero falar da situação da saúde e dos portugueses, não me leva a mal”, respondeu, perante a insistência dos jornalistas.