Os dois últimos voos de repatriamento de passageiros e tripulantes do navio onde ocorreu um surto de Hantavírus aterraram em Eindhoven, nos Países Baixos, na segunda-feira à noite.
As duas aeronaves, que partiram do arquipélago espanhol das Canárias, transportavam um total de 28 pessoas, de acordo com o Ministério dos Negócios Estrangeiros neerlandês.
A bordo do primeiro avião seguiam seis ex-passageiros do MV Hondius - quatro australianos, um neozelandês e um cidadão britânico residente na Austrália - que serão alojados num centro de quarentena junto ao aeroporto antes de partirem para a Austrália.
Vestidos com batas médicas brancas e usando máscaras, os passageiros desembarcaram do avião médico, transportando sacos brancos com os pertences, antes de entrarem no terminal.
A segunda aeronave transportava 19 tripulantes do navio, um médico britânico, um epidemiologista da Organização Mundial de Saúde (OMS) e outro do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC, na sigla em inglês).
O navio MV Hondius partiu da ilha espanhola de Tenerife na segunda-feira com destino a Roterdão, na Holanda, onde irá atracar para ser desinfetado.
A embarcação conta ainda com 25 tripulantes e dois profissionais de saúde a bordo, além do corpo de um passageiro alemão que faleceu durante o cruzeiro.
A Comissão Europeia disse na segunda-feira que realizou seis voos de repatriamento dos passageiros, executados por França, Espanha, Países Baixos, Grécia e Irlanda.
A operação usou aviões fretados por vários países e da União Europeia, ao abrigo do Mecanismo Europeu de Proteção Civil.
O Governo de Espanha disse no domingo terem sido desembarcadas e repatriadas nas Canárias 125 pessoas de mais de 20 nacionalidades que estavam no barco com hantavírus e deu a operação por concluída.
A operação foi coordenada por Espanha, Países Baixos, a OMS, o ECDC e outros organismos da União Europeia.
O ECDC admitiu no domingo que mais casos de infeção por hantavírus podem surgir nas próximas semanas entre os ex-passageiros e tripulação do navio, devido às incertezas que ainda persistem sobre o surto e ao longo período de incubação.
Segundo adiantou, a sequenciação genética do vírus “sugere fortemente” que as amostras de passageiros testadas e confirmadas estão ligadas à mesma fonte original de infeção.
“As informações genómicas mostram ainda que o vírus envolvido no surto é semelhante aos vírus dos Andes já conhecidos por circularem na América do Sul e não é uma nova variante”, salientou ainda o centro europeu, que manteve a avaliação de risco como muito baixo para a população em geral.
A OMS confirmou até agora seis casos de infeção com hantavírus em pessoas que viajaram no cruzeiro MV Hondius, que saiu do sul da Argentina no início de abril. Três pessoas morreram.