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Profissionais de saúde moçambicanos em greve reconhecem avanços nas negociações

Lusa
06-05-2026 16:51h

Os profissionais de saúde moçambicanos, em greve desde janeiro, anunciaram hoje avanços nas negociações com o Governo, com a criação de uma equipa conjunta de monitorização para identificar as necessidades das unidades sanitárias nacionais.

"Estamos prestes a atingir os acordos. Esses acordos irão beneficiar diretamente ao povo moçambicano, que é aquele cidadão que vai à unidade sanitária, quer o seu medicamento, quer ser atendido porque o material está lá disponível", disse, em conferência de imprensa na Beira, Joel Farias, delegado da Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM) na província de Sofala.

Segundo o responsável, esses avanços vão também trazer a dignidade do profissional de saúde relativamente às condições do trabalho, num momento em que a associação reivindica há quase cinco meses, entre outras, condições básicas de trabalho nas unidades sanitárias.

"Nós já temos uma equipa de monitoria em conjunto que já está na área e estamos a dizer que (...) é feita com membros da associação, que é representada por todos os delegados provinciais, tanto como todos os departamentos do Sistema Nacional de Saúde, incluindo a Diretoria de Assistência Médica Medicamentosa, Recursos Humanos e outros" acrescentou, assinalando que os trabalhos da equipa começaram na capital do país, Maputo.

"Também tivemos o trabalho a ser feito na província de Manica onde vimos lá, o diretor de assistência médica medicamentosa a acompanhar a equipa. Então, para nós, achamos que é um avanço e é bom, porque nós queremos que tudo seja aberto, tudo seja claro, para que nós possamos trabalhar em conjunto", disse.

No âmbito da monitorização conjunta, a APSUSM exigiu seriedade do Governo: "Nós estamos também a exigir ao próprio Governo que haja seriedade, celeridade. Porque estamos a perceber que estamos com uma equipa apática, que não está muito ativa em trazer as coisas concretas".

"Então, estamos a pedir a essa equipa que está connosco, trabalharmos em conjunto com seriedade, para que o povo, para que o profissional de saúde tenha certeza do trabalho que estamos a fazer, para que não seja uma teoria e que nós possamos vir falar aqui que estamos, sim, em trabalho de monitoria", apelou.

O trabalhou, avançou Joel, deve ser prático, para colmatar a situação da falta de material médico cirúrgico e a falta de alimentos dentro dos hospitais, além de providenciar os benefícios dos próprios profissionais de saúde, com salários justos e o pagamento das horas extraordinárias.

"Nós não vamos aceitar negociar com pessoas que achamos que eles não estão sérios nesse trabalho, essa é a nossa posição", disse.

A APSUSM também declarou na ocasião "tolerância zero" às cobranças ilícitas protagonizadas por alguns profissionais de saúde: "Não queremos que o profissional de saúde vá cobrar o paciente por uma luva, porque falta uma luva".

"Este profissional está a trair o próprio povo, porque o povo que é o patrão deste profissional de saúde", assinalou o delegado provincial da associação, que representa cerca de 65.000 profissionais de saúde.

Em 20 de abril, os profissionais de saúde moçambicanos anunciaram a continuidade da greve e exigiram ao Governo propostas escritas com prazos para pagamento de subsídios e entrega de material médico.

Em 30 de março, a APSUSM acusou o Governo de não cumprir compromissos assumidos nas negociações, alertando para uma “situação catastrófica” no Serviço Nacional de Saúde e para o registo de 1.872 mortes associadas à falta de medicamentos e equipamentos.

A greve, iniciada em 16 de janeiro, inclui reivindicações como o pagamento integral do 13.º salário de 2025, melhores condições de trabalho e fornecimento regular de material médico-cirúrgico, tendo já sido prolongada por mais 30 dias em março.

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