O cruzeiro com casos de hantavírus deverá sair das águas de Cabo Verde, onde está de quarentena, e dirigir-se às Canárias, em Espanha, onde será feita uma "investigação epidemiológica completa", disse hoje a Organização Mundial da Saúde (OMS).
"Estamos a trabalhar com as autoridades espanholas, que irão acolher o navio, tal como nos comunicaram, e irão realizar uma investigação exaustiva, um investigação epidemiológica completa, uma desinfeção total do navio e, claro, avaliar o risco dos passageiros que se encontram a bordo", disse a diretora na OMS para a Prevenção de Epidemias e Pandemias, Maria Van Kerkhove, numa conferência de imprensa em Genebra.
O Governo de Espanha disse que não recusará acolher o barco nas Canárias, referindo que é uma obrigação humanitária, que há espanhóis a bordo e que os hospitais das ilhas "estão preparados".
"Tudo se fará sob a orientação da Organização Mundial da Saúde", disse o delegado do Governo de Espanha na região autónoma das Canárias, Anselmo Pestana, em declarações aos jornalistas.
A OMS confirmou hoje um segundo caso de hantavírus no cruzeiro que está de quarentena em Cabo Verde e revelou que há outros cinco casos suspeitos.
Os dois casos confirmados são o de uma mulher que teve contacto próximo com o passageiro que morreu no dia 11 de abril e o de um passageiro que foi retirado do navio e transportado para Joanesburgo, onde está em estado grave nos cuidados intensivos.
Os restantes cinco casos suspeitos são os dois passageiros que morreram a 11 de abril (um homem) e a 02 de maio (uma mulher) e os três casos que estão a bordo com sintomas gastrointestinais e/ou febre alta, dois deles elementos da tripulação.
Entretanto, a Oceanwide Expeditions, empresa responsável pelo cruzeiro, está a ultimar com as autoridades a retirada dos dois tripulantes com sintomas respiratórios - um leve e outro grave - que precisam de assistência médica urgente.
Os passageiros e tripulantes que não precisam de assistência médica urgente permanecerão a bordo até que um porto de desembarque seja determinado e autorizado, sendo Las Palmas ou Tenerife consideradas possibilidades.
“O ambiente a bordo do m/v Hondius permanece tranquilo, com os passageiros calmos”, afirmou a Oceanwide Expeditions, acrescentando que a empresa está a trabalhar para garantir a segurança dos passageiros e para “agilizar o seu desembarque e exame médico”.
O navio, com 149 pessoas (88 passageiros) de 23 nacionalidades fazia a rota entre Ushuaia, na Argentina, de onde saiu a 20 de março, e as ilhas Canárias, com paragens no Atlântico Sul para turismo de observação da vida selvagem. A viagem deveria ter terminado a 04 de maio. Segundo a OMS, os relatos de doença a bordo foram recebidos entre 06 e 28 de abril, sobretudo febre e sintomas gastrointestinais, com rápida progressão para pneumonia, síndrome respiratória aguda e choque.
Os hantavírus podem passar de animais para humanos, geralmente quando as pessoas inalam poeira ou minúsculas partículas expelidas pela urina, fezes ou saliva de roedores infetados, particularmente em locais fechados ou mal ventilados.
Nas Américas, alguns hantavírus podem causar a síndrome pulmonar por hantavírus, uma doença grave caracterizada por febre e sintomas gerais, seguidos por insuficiência respiratória aguda.
A maioria dos hantavírus não se transmite de pessoa para pessoa. A exceção é o vírus Andes, relatado principalmente em partes da América do Sul e que já mostrou conseguir espalhar-se entre humanos.
Ainda não se sabe se a transmissão no surto atual ocorreu por exposição ambiental ou entre pessoas e qual a origem da infeção. O hantavírus específico envolvido também ainda não foi identificado.
A OMS avalia atualmente como baixo o risco para a população global decorrente deste surto e diz que continuará a monitorizar a situação epidemiológica e a atualizar a avaliação de risco.