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África tem 25% das doenças mundiais, mas detém menos de 1% do gasto global em saúde

Lusa
27-04-2026 14:30h

África suporta "mais de 25% da carga mundial de doenças", dependendo em grande medida de ajuda externa e representando menos de 1% da despesa mundial com a saúde, disse hoje o Presidente do Quénia.

William Ruto defendeu que os sistemas de saúde africanos devem transformar-se para se tornarem menos dependentes, com mais financiamento interno e produção local de medicamentos, acrescentando que o continente africano pode-se tornar num "produtor de soluções de relevância mundial".

Esta transformação "exige a tomada de decisões deliberadas, como aumentar o financiamento nacional da saúde, reforçar a capacidade local de fabrico de produtos farmacêuticos e investir na formação e retenção de profissionais de saúde", enfatizou o líder queniano na abertura da reunião regional que antecede a Cimeira Mundial da Saúde, a realizar-se em outubro, em Berlim, Alemanha.

"África deve situar-se na vanguarda da biotecnologia e da investigação avançada, investindo na genómica, no desenvolvimento de vacinas e em ecossistemas de fabrico locais, passando assim de consumidora de inovação a produtora de soluções de relevância mundial", declarou o chefe de Estado queniano.

O diretor regional do escritório africano da Organização Mundial da Saúde, Mohamed Janabi, salientou que o mundo está "profundamente interligado" e, por isso, "uma falha num local pode provocar um efeito de dominó em todo o lado".

"Com demasiada frequência, somos confrontados com falsos dilemas: saúde ou segurança, meios de subsistência ou vidas, solidariedade ou soberania. Rejeitamos estes dilemas porque não há prosperidade sem saúde nem segurança sem um sistema de saúde resiliente", disse Janabi.

Para o diretor regional, é necessário ampliar o espaço fiscal dedicado à saúde e impulsionar a participação do setor privado através de "um financiamento combinado".

Também interveio na abertura o diretor-geral da agência de saúde pública da União Africana (UA), John Kaseya, que pediu aos Governos africanos que "mudem a sua mentalidade" e deem prioridade aos produtores locais na hora de comprar os seus medicamentos.

A reunião regional decorrerá até quarta-feira na sede das Nações Unidas na capital queniana, Nairobi, onde se espera a presença de mais de dois mil líderes e especialistas de todo o mundo, segundo os organizadores.

África acolhe este encontro regional, que se realiza todos os anos numa região diferente do mundo, como antecipação da Cimeira Mundial da Saúde.

A cimeira terá lugar num contexto marcado pela saída daquele que era o maior doador individual da OMS, os Estados Unidos, anunciada em 2025 e formalizada em janeiro último.

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