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Mais de 244 mil pessoas iniciaram tratamento contra VIH em 2025 em Moçambique

Lusa
06-04-2026 09:38h

Pelo menos 244.152 moçambicanos com VIH iniciaram tratamento antirretroviral (TARV) em 2025, incluindo 12.072 crianças, segundo informação do gabinete parlamentar de prevenção e combate ao VIH/Sida, apresentada hoje na Assembleia da República.

Segundo informação apresentada hoje pela presidente do gabinete parlamentar de prevenção e combate ao VIH/Sida, Zainaba Andala, pelo menos 12.072 menores de 0-14 anos iniciaram o tratamento antirretroviral em 2025 em Moçambique, numa taxa de 84% face à meta prevista para o ano (14.439), com as estatísticas a apontarem que 95.373 crianças já estão a realizar este tratamento, representando uma percentagem de 95%.

Segundo o mesmo documento, 232.080 adultos, representando 109% da meta prevista, iniciaram o TARV em 2025, quando antes a previsão era de 213.069, sendo que um total de 1.975.601 adultos estavam em tratamento no ano passado, significando 92% do global.

“O bom desempenho em novos inícios indica a capacidade de expansão de tratamento por um lado, enquanto o desempenho abaixo de 100% do número de ativos em TARV revela perdas ao longo de seguimento (problemas de retenção e adesão), o que significa que, a longo prazo, haverá comprometimento da supressão viral e aumento da transmissão de VIH”, indica-se na informação apresentada.

No mesmo documento, refere-se que foram realizados 12.631.193 testes de VIH em 2025, uma redução em 3% face ao ano anterior, com o documento a indicar que a redução de testagens pode resultar em “diagnóstico tardio e maior transmissão de VIH”.

De acordo com o documento, Moçambique conta com uma estimativa de 2,3 a 2,6 milhões de pessoas a viver com VIH, incluindo 150.000 a 201.000 crianças. Os números do gabinete parlamentar de prevenção e combate ao VIH/Sida estima que há registo de pelo menos 252 novas infeções por dia e 92 mil por ano, onde se calcula que cerca de 44 mil pessoas morrem por ano devido a esta epidemia.

Segundo a informação do parlamento, o número de mortos devido ao VIH tem vindo a reduzir-se ao longo dos anos, mas desafios persistem face a “mortes evitáveis”, com a Assembleia da República a apontar que ainda se regista um diagnóstico tardio, fraca retenção e baixa adesão ao tratamento.

Moçambique é o terceiro país no mundo com mais pessoas com VIH e o segundo em termos de novas infeções, com prevalência de 12,5% em adultos com mais de 15 anos, sendo mais alta em mulheres (15%) do que em homens (9,5%), segundo dados divulgados hoje.

O parlamento moçambicano admitiu desafios que o país ainda enfrenta para controlar a doença, referindo-se no documento que esta epidemia tem impactos significativos na saúde pública, no sistema de saúde e no desenvolvimento socioeconómico do país.

“Embora o país tenha registado avanços nos últimos anos, persistem desafios para o controlo da epidemia de VIH, o que mostra a necessidade de esforços conjuntos, concertados e o envolvimento de todos os atores para melhorar o desempenho e resposta nacional rumo ao alcance das metas”, adianta-se no documento.

Em dezembro, a primeira-ministra de Moçambique, Benvinda Levi, afirmou que o país registou "avanços significativos" no combate ao VIH/Sida, apesar de admitir que a doença continua "um dos maiores desafios" de saúde, quando 87% dos infetados estão diagnosticados. 

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