A Ordem dos Médicos (OM) e os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) acordaram hoje criar um grupo de trabalho para permitir uma “colaboração estreita” no acompanhamento de eventuais falhas nos sistemas de informação do SNS.
A informação foi avançada à Lusa pelo bastonário da OM, que hoje se reuniu com os SPMS, depois de no início desta semana ter pedido explicações urgentes sobre a falha de energia que afetou na sexta-feira os sistemas de informação do Serviço Nacional de Saúde (SNS) utilizados pelos profissionais de saúde.
Carlos Cortes salientou que a reunião de hoje decorreu com um “espírito muito interessante”, tendo as duas partes decidido criar um grupo de trabalho para “identificar todos os problemas e todas as sugestões que possam existir” ao nível dos vários sistemas geridos pelos SPMS.
Segundo o bastonário, ficou ainda acertado que serão realizadas reuniões de dois em dois meses, a partir de setembro, e que, em situações de falhas mais graves como a que aconteceu na sexta-feira, “haverá um contacto direto ao mais alto nível” entre as duas entidades.
“Está situação está fechada, mas o que é relevante nessa reunião é a perspetiva desta colaboração estreita entre os SPMS e a OM. Saio com grande expectativa em relação ao que combinamos”, afirmou Carlos Cortes.
Na segunda-feira, a OM tinha lamentado não ter sido contactada em tempo útil pelos SPMS sobre as “perturbações significativas” nos sistemas, alegando que “uma comunicação institucional imediata teria sido essencial para informar e apoiar os médicos, proteger os doentes e assegurar que os profissionais sabiam como atuar perante o problema em concreto”.
Na sexta-feira, os SPMS confirmaram que uma falha de energia causou perturbações no acesso a serviços e sistemas de informação do SNS, que foram sendo progressivamente repostos, mas alguns constrangimentos temporários continuaram a verificar-se nos dias seguintes.
Um dos sistemas mais afetados foi a prescrição eletrónica de medicamentos, utilizada por cerca de 10 mil médicos por dia e responsável por uma média de 250 mil receitas passadas diariamente em Portugal.
Os SPMS, que gerem todos os sistemas de informação e infraestruturas tecnológicas do SNS, adiantaram à Lusa que um novo centro de dados deve estar operacional até final deste ano, assegurando, a partir de Évora, uma redundância em tempo real com o `data center´ que funciona atualmente no Porto.
“O novo centro de dados vai permitir redundância em tempo real. Se houver uma falha num centro de dados, o outro iniciará o funcionamento imediatamente”, referiu fonte dos SPMS.
No final de 2022, o presidente dos SPMS tinha anunciado, num encontro para apresentação do investimento, que os servidores do ‘data center’ de Évora seriam instalados até ao final do primeiro trimestre de 2023, funcionando a redundância a partir dos meses seguintes.