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Ministro da Saúde moçambicano pede uso de linguagem "leve e simples" com doentes

Lusa
01-04-2026 13:41h

O ministro da Saúde moçambicano pediu hoje aos profissionais do setor para usarem linguagem simples com doentes para facilitar a compreensão do estado clínico e às instituições de formação que apostem na investigação para solucionar problemas da Saúde.

“Lá fora ninguém percebe termos médicos, temos que dizer a verdade, com as coisas muito claras. Comunicação leve, objetiva, uma linguagem muito simples para o doente entender”, disse o ministro da Saúde, Ussene Isse, na aula inaugural de abertura do ano letivo do Instituto Superior de Ciências de Saúde (ISCISA).

O ministro disse que só assim os profissionais da saúde vão melhorar a vida dos pacientes, porque se o doente “não percebeu tomar o medicamento de forma errada”, disse, alertando que nestas condições o paciente tem poucas hipóteses de melhorar.

Ussene Isse pediu avanços na humanização dos serviços, argumentando que vai aumentar a satisfação dos utentes com o Sistema Nacional de Saúde (SNS), além de melhorar os resultados do doente e o ambiente do trabalho.

Neste sentido, exigiu do ISCISA aposta na formação de profissionais com consciência sobre a humanização dos serviços hospitalares, frisando que este valor é o “rigor ético e estética” do SNS.

“A humanização deve começar aqui (…) temos que lapidar para termos um profissional competente, humilde, bondoso, carinhoso, ético, com amor ao próximo. Costumo dizer que quem não tem amor ao próximo não vale a pena vir para a área da saúde, escolha outra especialização”, disse o ministro, pedindo aos estudantes para não causarem dor ao paciente no futuro.

Para a materialização da humanização, o ministro defendeu ainda conexão entre o profissional da saúde e o doente, justificando que o respeito e empatia são importantes no SNS.

Aos estudantes, o ministro apelou para que no futuro mudem a imagem que se tem do SNS, pautando pelo bom atendimento no exercício das suas futuras funções.

“Fico muito envergonhado quando somos questionados pela população: ‛senhor ministro, aqui no seu hospital cobram. Cobranças ilícitas, aqui maltratam-nos, roubam medicamentos’. Como vou ficar feliz a ouvir essas coisas? É normal isso?”, questionou Usse Isse.

Nas mesmas declarações, o ministro da Saúde pediu ao ISCISA para apostar na investigação científica, defendendo que só assim a ciência vai ajudar na tomada de decisões que melhorem o setor da saúde.

“Tragam isso para facilitar a nós como políticos, como decisores, para tomarmos medidas com base em evidências. Quando as pessoas falam e não trazem evidências dificilmente vamos corrigir o problema, eu lanço este desafio a todos nós para olharmos para a investigação e pesquisa como prioridade", disse.

O ISCISA foi criado pelo Governo há 20 anos, ministrando na cidade de Maputo 14 cursos de licenciatura e quatro de mestrado, com uma delegação em Quelimane, no centro, com seis cursos de licenciatura, tendo no global já licenciado 4.289 profissionais e 93 mestres.

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