Os Serviços de Saúde de Macau (SSM) incentivaram hoje a população do território a procurar apoio de saúde mental, chamando a atenção para o estigma que continua a afastar os residentes do acesso a tratamento psicológico.
O número de mortes por suicídio tem vindo a crescer nos últimos anos em Macau, com a melhoria dos serviços de apoio à saúde mental da população a ganhar maior destaque na discussão de saúde pública.
Em 2025, foram registados 91 casos de suicídio no território, que conta com apenas 689 mil habitantes, segundo dados da Direção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), um dos números mais elevados de sempre na cidade.
“Se se sentir em baixo há mais de duas semanas e não conseguir comer ou dormir, deve procurar ajuda”, afirmou Choi Ka Man, assessora principal de psicoterapia dos SSM, numa conferência de imprensa de promoção de cuidados de saúde mental.
O diretor do hospital público Conde de São Januário (CHCSJ), Tai Wa Hou, explicou que muitos residentes ainda receiam procurar cuidados psiquiátricos com medo de “ser estigmatizados”, enquanto outros desconhecem que condições como “ansiedade, insónia ou humor persistentemente baixo” podem melhorar com intervenção profissional.
“Estes conceitos errados criam barreiras invisíveis que impedem as pessoas de procurar ajuda”, sublinhou Tam, na mesma conferência.
“É importante compreender que os problemas de saúde mental não são defeitos de caráter nem um sinal de fraqueza”, disse.
Segundo Tai Wa Hou, existem em Macau nove centros de saúde e três organizações comunitárias que oferecem serviços de aconselhamento psicológico e cuidados de saúde aos residentes.
Apesar de questionados pela Lusa, os SSM não deram números concretos de quantos residentes receberam ou procuraram tratamento psicológico ou psiquiátrico.
Citando a Organização Mundial da Saúde, os SSM referiram que uma em cada quatro pessoas em todo o mundo sofre de problemas de saúde mental, e que a ansiedade e a depressão causadas pelo stress aumentam ano após ano.
Choi aconselhou a população a que, caso se sintam confusos ou angustiados, “partilhem a situação com pessoas em quem confiam”.
“Se o primeiro passo não trouxer resultados significativos, podem procurar ajuda profissional junto de médicos de família, clínicos gerais, linhas de apoio de saúde mental, terapeutas ou assistentes sociais comunitários”, disse.
“Se estiver a magoar-se ou tiver pensamentos de se magoar ou magoar outras pessoas, deve dirigir-se imediatamente ao serviço de urgência para obter ajuda”, acrescentou.