O presidente do INEM, Luis Cabral, garantiu hoje que não pretende transpor o modelo de emergência médica pré-hospitalar açoriano para Portugal continental e nem ter um sistema sem técnicos de emergência pré-hospitalar.
Em declarações na Comissão Parlamentar de Inquérito ao Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), Luis Cabral lamentou a “luta de classes profissionais” que encontrou quando chegou ao INEM, em novembro de 2025, e disse que a sua primeira preocupação foi sanar o conflito existente.
“Havia um conflito latente no INEM, entre a Ordem dos Médicos, Ordem dos Enfermeiros e o sindicato representativo dos técnicos de emergência pré-hospitalar relativamente à capacitação de cada elemento no sistema”, afirmou Luis Cabral, dizendo que um dos principais propósitos que tinha era “sanar esse conflito”.
O presidente do INEM disse que compreende que a decisão que tomou de colocar técnicos de emergência pré-hospitalar nos Centros de Atendimento de Doentes Urgentes (CODU), retirando-os de algumas Ambulâncias de Emergência Médica (AEM) “não tenha agradado aos técnicos”, mas disse que o foco tinha de ser o doente e não podia ter, como acontecia, tempos de atendimento no CODU de dois minutos.
“Tinha de ter o CODU completamente cheio para o atendimento ser eficaz na chamada. Era óbvio para todos, independentemente de alguns acharem que este é um dos postos menos diferenciados”, disse o presidente do INEM, acrescentando: “Tempos de atendimento de dois minutos é impensável. (…) Agora temos 14 segundos”.
Respondendo aos deputados sobre as principais decisões tomadas até hoje, apontou o reforço do funcionamento do INEM à custa de Postos de Emergência Médica (PEM) contratualizados com os bombeiros, dando como exemplo a margem sul e a região de Lisboa.
Sobre este reforço, admitiu reabrir as ambulâncias entretanto encerradas quando tiver recursos humanos suficientes e disse: “só tínhamos em funcionamento sete ambulâncias [das 14 que Lisboa deveria ter] e, nalgumas alturas, só tínhamos quatro a funcionar [por falta de meios humanos]”.
Os deputados da comissão de inquérito estão a apurar a atuação do INEM durante a greve às horas extraordinárias dos técnicos de emergência pré-hospitalar no final de outubro e início de novembro de 2024, durante a qual se registaram 12 mortes, três das quais associadas a atrasos no socorro, segundo a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde, assim como a relação da tutela com o instituto desde 2019.