O antigo presidente do INEM Luis Meira garantiu hoje que a maior parte dos meios envolvendo postos de emergência médica estão georreferenciados e que isso permitiu encontrar os destroços do helicóptero que caiu em 2018.
“Não percebo como dizem que não há georreferenciação no INEM. A maior parte dos meios do instituto envolvendo postos de emergência medica com rádio SIRESP [Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal) são georreferenciados”, disse Luis Meira na Comissão Parlamentar de Inquérito ao INEM
Questionado pelos deputados, Luis Meira, que presidiu ao Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) entre outubro de 2015 e julho de 2024, disse que, “na maior parte das situações” o Centro Operacional de Doentes Urgentes (CODU) sobre onde os meios estão, admitindo, contudo, que nalguns casos, essa capacidade não exista.
“Na maior parte das situações, o CODU sabe onde estão. Exceção para algumas situações que, ou por avaria no equipamento, ou porque a consola que está no CODU – e que é do SIRESP - tem problemas”, acrescentou.
Luis Meira considerou, ainda assim, que esta capacidade de georreferenciação deve ser melhorada e defendeu que todas as ambulâncias deveriam estar geolocalizadas e a sua localização ser do conhecimento do CODU.
Disse ainda que foi feito algum trabalho no INEM para colmatar esta dificuldade, designadamente instalando a aplicação ‘iTeams’ , que “permite saber onde está o computador associado àquele meio”.
“Não aceito é que digam que nada foi feito quanto a esta matéria”, frisou.
Questionado sobre os problemas de gestão no INEM, lembrou que o instituto “não é gerido da mesma maneira que um hospital. Mais de 98% da receita são taxas de seguros e o INEM recebe transferência dos seguros mensalmente e só depois é que pode converter a verba em gastos. Essa receita não é linear”.
“Por muito que se esforce, o INEM pode não conseguir realizar o investimento previsto”, afirmou, recordando ainda as dificuldades decorrentes de os concursos necessários serem tramitados pela Entidade de Serviços Partilhados da Administração Pública.
O responsável admitiu ainda que esta variabilidade na entrada de dinheiro no INEM condiciona a gestão do instituto, acabando também por comprometer a capacidade de resposta.
Luis Meira está hoje a ser ouvido na Comissão Parlamentar de Inquérito ao INEM para apurar responsabilidades durante a greve no final de 2024 e a relação das tutelas políticas com o instituto desde 2019.