A concelhia de Vila do Conde do PCP denunciou hoje que a nova Unidade de Saúde das Caxinas, no distrito do Porto, continua encerrada, apesar de ter sido inaugurada há quatro semanas, classificando a cerimónia como “manobra de propaganda”.
Em comunicado enviado à Lusa, os comunistas criticam o facto de a unidade, inaugurada em 28 de fevereiro, ainda não ter entrado em funcionamento, considerando a situação “inaceitável e incompreensível”.
“A nova Unidade de Saúde das Caxinas continua encerrada e sem data prevista para o início do seu funcionamento, apesar da sua inauguração com pompa e circunstância […] numa manobra de propaganda ao nível do atual executivo”, refere o PCP.
Segundo a estrutura local do partido, o equipamento, que integra a Unidade de Saúde Familiar (USF) dos Navegantes e serviços partilhados de cuidados de saúde primários, não resolve os problemas estruturais do setor no concelho.
“O PCP considera que a nova Unidade de Saúde das Caxinas […] não elimina os problemas de fundo do SNS [Serviço Nacional de Saúde] no concelho, nem substitui a necessidade de garantir cobertura efetiva de médicos de família, equipas completas e respostas de urgência acessíveis à escala municipal”, lê-se no documento.
O partido sublinha que o não funcionamento da unidade "favorece o crescimento do setor privado à custa do enfraquecimento do SNS".
“É incompreensível e inaceitável que esta unidade continue encerrada. A situação vivenciada com a nova Unidade de Saúde espelha as consequências de uma política de desinvestimento e uma estratégia para justificar opções que favorecem o crescimento do setor privado à custa do enfraquecimento do SNS”, defendem.
A Comissão Concelhia de Vila do Conde do PCP exige, por isso, que o Governo e a autarquia tomem medidas para colocar a unidade em funcionamento e repudia “uma política feita de anúncios e inaugurações enganosas”.
A Câmara de Vila do Conde, num esclarecimento à Lusa, garantiu que o edifício está concluído e pronto a funcionar, faltando apenas um procedimento técnico da responsabilidade do Ministério da Saúde.
“Está tudo pronto para entrar em funcionamento, só falta uma responsabilidade dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, que é a transferência dos sistemas de comunicação do antigo edifício para as novas instalações, para que os médicos, enfermeiros e pessoal administrativo lá possam lá trabalhar”, informou a autarquia.
A Câmara garantiu que “o processo já foi solicitado pela Unidade Local de Saúde (ULS), responsável pelo equipamento”, e que a resolução está agora “do lado do ministério, que é quem pode resolver”.
Adiantou ainda que já foram feitas várias diligências junto da tutela, mas que o processo continua em curso, apontando que a demora “tem causado desconforto no município”.
“O presidente da Câmara [Vítor Costa] está estupefacto com a demora e inércia no processo. Houve um grande esforço para que o novo edifício estivesse pronto para servir a comunidade, mas, neste momento, uma questão burocrática continua a atrasar a abertura”, vincou o esclarecimento.
A nova Unidade de Saúde de Caxinas representou um investimento de cerca de três milhões de euros, cofinanciados com verbas europeias do PRR, e vai servir cerca de 15 mil utentes, no âmbito da Unidade de Saúde Familiar dos Navegantes (USF), bem como uma Unidade de Recursos Assistenciais Partilhados (URAP).
A construção desta nova unidade, no seio de uma das maiores comunidades piscatórias do país, durou menos de dois anos.
Na inauguração, o presidente da Câmara de Vila do Conde, Vítor Costa, lamentou a ausência de representantes do Ministério da Saúde.
“É com alguma tristeza que notei a ausência de membros do Ministério da Saúde. Apesar da honra da presença da vogal da Direção Executiva do SNS, seria o mínimo exigível ao ministério que se tivesse feito representar, ora pela sua ministra, ora por um dos seus secretários de Estado”, disse então o autarca.