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Autarcas afetados por fecho de urgências obstétricas querem reunir com partidos no parlamento

Lusa
19-03-2026 19:25h

Os presidentes de câmara abrangidos pelo encerramento de urgências obstétricas, e concentração nas urgências regionais de Almada e Loures, vão solicitar reuniões aos grupos parlamentares na Assembleia da República, procurando sensibilizar para “as consequências negativas” da decisão do Governo.

“Fizemos por isso um diagnóstico, quer do território da margem sul, quer do território da margem norte e combinámos, depois de conversar uns com os outros, pedir agora uma reunião em conjunto com os grupos parlamentares na Assembleia da República”, afirmou o presidente da Câmara de Vila Franca de Xira, Fernando Paulo Ferreira (PS).

O autarca falava nos Paços do Concelho do município do distrito de Lisboa após uma reunião com homólogos de autarquias da margem norte e sul do Tejo.

Segundo o socialista, essas reuniões pretendem sensibilizar “todos os partidos para as consequências negativas” que a decisão “tem junto da população”, nomeadamente da “que fica mais afastada das futuras urgências ditas regionais”.

O Governo decidiu encerrar as urgências de ginecologia e obstetrícia no Hospital de Vila Franca de Xira, que serve também os municípios de Azambuja, Arruda dos Vinhos, Alenquer e Benavente, passando os utentes a ser encaminhados para o Hospital Beatriz Ângelo, no concelho de Loures.

No caso da margem sul, os autarcas dos municípios de Alcochete, Almada, Barreiro, Moita, Montijo, Palmela, Seixal, Sesimbra e Setúbal estão contra o encerramento da urgência de obstetrícia e ginecologia do hospital do Barreiro, no âmbito da entrada em funcionamento da nova urgência regional no Hospital Garcia de Orta, em Almada.

“Vamos falar com os diversos grupos parlamentares na Assembleia da República, procurando sensibilizá-los para esta questão, que, de facto, afeta muita gente e, depois de falarmos com os diversos grupos parlamentares, aí sim, continuaremos certamente a tomar outras medidas em conjunto”, adiantou Paulo Ferreira.

O presidente da autarquia de Vila Franca salientou que o seu município é o único que pertence à Área Metropolitana de Lisboa, ao contrário dos outros quatro abrangidos pela medida, e isso “dá bem a noção da dificuldade que as pessoas têm para chegar ao Hospital Beatriz Ângelo”, pois “nem sequer há transportes públicos diretos para essa unidade hospitalar” em Loures.

Para Fernando Paulo Ferreira, o “aumento da distância traz problemas, de facto, às pessoas” e, no caso de Vila Franca, “são 250 mil pessoas” envolvidas no encerramento da urgência, enquanto na margem sul contabilizam-se “900 mil pessoas afetadas”, totalizando mais de “um milhão de pessoas que estão com este problema”.

“Aqui na zona de Vila Franca também já reunimos com a ULS [Unidade Local de Saúde] de Vila Franca de Xira, que está a fazer um grande esforço no sentido de reforçar o acompanhamento às grávidas, procurar criar condições para fazer também marcações e agendamentos de partos para garantir um nível de serviço que permita a reabertura”, apontou.

O autarca notou que “os profissionais, os médicos, os enfermeiros estão com este objetivo” de que “o serviço venha a reabrir”, assim como os autarcas, uma vez que “é uma região muito grande em que o acesso ao Hospital Beatriz Ângelo não é fácil”.

Perante a distância de muitos municípios ao hospital de Loures, o autarca considerou que chamar urgência regional “para municípios que já têm territórios na zona do Alentejo, ou na zona do Oeste, ou na zona do Ribatejo, é também não ter em conta onde é que as pessoas vivem e as dificuldades que elas têm”.

Na reunião participaram também os autarcas de Arruda dos Vinhos, Carlos Manuel Alves (PS), Alenquer, João Nicolau (PS), Barreiro, Frederico Rosa (PS), Moita, Carlos Albino (PS), Montijo, Fernando Caria (MVC), e Seixal, Paulo Silva (CDU).

“Há um problema imediato e […] nós estamos, obviamente, ao lado de soluções para resolver o problema imediato. Mas pugnamos por uma resposta estrutural que, a prazo, possa inverter esta situação”, defendeu, por seu lado, Frederico Rosa, também presidente da Comunidade Intermunicipal (CIM) da Península de Setúbal.

O autarca salientou que os eleitos das duas margens do Tejo estão unidos na defesa de uma solução estrutural, que não passe por encerramento de serviços de proximidade e, por isso, vão “partir para o diálogo com os diferentes grupos parlamentares”, para “poderem também ouvir” a voz de “mais de um milhão de pessoas que estão nestes territórios”.

“Eu gostava de dizer que são só este milhão de pessoas. Mas esta política, se não é invertida, vai fazer com que, a este milhão, se juntem mais pessoas. Porque há mesmo um problema estrutural”, vincou.

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