A Associação Nacional de Estudantes de Medicina (ANEM) disse hoje ter sérias preocupações quanto à capacidade do Serviço Nacional de Saúde (SNS) em formar e reter especialistas, e sugeriu uma avaliação às perspetivas de carreira dos estudantes de medicina.
A posição da ANEM, divulgada em comunicado, decorre dos resultados de um inquérito da Administração Central do Sistema de Saúde, divulgados na quarta-feira, revelando que 63% dos jovens médicos adiaram no ano passado o ingresso na formação especializada por não conseguirem vaga na área pretendida.
Os dados divulgados confirmam um problema estrutural no acesso ao internato médico em Portugal, num cenário que arrisca deixar cerca de 800 jovens médicos sem colocação no SNS, segundo a associação.
A crescente perda de atratividade do SNS, evidenciada pelo número de vagas por preencher no internato médico e pelo aumento da intenção de emigração entre estudantes e jovens médicos, compromete não só a retenção de profissionais, mas também a capacidade formativa do sistema e a sustentabilidade dos cuidados de saúde a médio e longo prazo, alertou.
A distribuição das especialidades mais procuradas evidencia uma maior atratividade relativa das áreas hospitalares, particularmente cirúrgicas, em detrimento da Medicina Geral e Familiar e da Saúde Pública, destacando os estudantes que são determinantes na fixação de médicos fatores como condições de trabalho, incentivos e mobilidade territorial, sobretudo em regiões menos atrativas.
Neste contexto, propõem que seja realizado um estudo nacional, à semelhança do efetuado no Reino Unido, para avaliar as perspetivas de carreira dos estudantes de Medicina e os fatores que influenciam as suas decisões, e os motivos que mobilizam os estudantes para outras regiões do país.
A ANEM alerta ainda para a urgência de reforçar a atratividade do SNS, não apenas ao nível remuneratório, mas também das condições de formação, valorização profissional e organização do trabalho médico, e apela à inclusão dos estudantes de medicina no debate sobre o futuro da formação médica e do SNS.
O inquérito, feito a 507 jovens médicos, foi respondido por cerca de metade (254), dos quais mais de 80% manifestaram intenção de repetir a Prova Nacional de Acesso para melhoria da classificação para colocação na especialidade desejada, adiando assim o inicio da formação especializada.