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Hospital açoriano da Horta sinaliza “custos” apesar do “reforço” do orçamento

Lusa
16-02-2026 14:06h

Maria Cândido, indigitada para a presidência do Hospital da Horta, nos Açores, considerou hoje que há “um reforço” de verbas do orçamento regional, mas “não será suficiente” face ao agravamento de preços dos consumíveis e dos tratamentos.

Ao ser ouvida na Comissão dos Assuntos Sociais da Assembleia Legislativa dos Açores, na sequência da sua indigitação para presidente do Conselho de Administração do Hospital da Horta, na ilha do Faial, Maria Cândido considerou que se está perante um “problema transversal de custos, apesar do reforço do investimento” por parte do Governo dos Açores, e que é uma realidade em outras unidades de saúde.

A indigitada, que assegurou estas funções nos últimos três anos, salvaguardou, contudo, que o orçamento do Hospital da Horta, apesar dos condicionalismos, não compromete a “gestão do dia a dia”.

Maria Cândido referiu que se vai “alertando a tutela para ter orçamento que venha colmatar as reais necessidades”, tendo havido um reforço de verbas em 2025 que permite “ultrapassar muitas das dificuldades com as dívidas”.

Esta responsável admitiu “dificuldades para pagar as diárias” dos doentes, sendo atualmente 1.500 doentes os que se deslocam para o continente, não havendo, no entanto, “dívidas acima de 90 dias”.

Admitiu que o quadro médico do hospital “é curto”, mas está garantida a deslocação de médicos para assegurar serviços.

Maria Cândido admitiu o agravamento dos tempos médios das listas de espera, que se ficou a dever a “constrangimentos pelas obras” no Hospital da Horta, a par de problemas com clínicos que passaram à reforma e em baixa.

Segundo dados da Direção Regional da Saúde, relativos a novembro de 2025, o Hospital da Horta, com 1.429 inscritos, apresentava mais 110 utentes em espera (8,3%) do que em novembro de 2024.

A responsável disse pretender combater as “dificuldades na captação e fixação dos recursos humanos”, naquele que é “o mais periférico de todos os hospitais” nos Açores, fazendo, por exemplo, uma aposta na formação custeando os custos e investindo em equipamentos.

Maria Cândido referiu que as obras no Hospital da Horta ocorrem num edifício com cerca de 40 anos, visando melhorias nas instalações e equipamentos, num hospital com 103 camas e que serve ainda as ilhas do Pico e São Jorge, num universo de 42 mil utentes.

As obras estão orçadas em nove milhões de euros deverão estar concluídas em maio.

Maria Cândido já exerce as funções de presidente do Hospital da Horta desde 2022.

Desde 2021, assumia as funções de presidente da Unidade de Saúde de Ilha do Faial.

É natural da Horta e licenciada em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.

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