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Médio Oriente: Israel afirma que Hamas usa hospital de Naser como centro militar depois de saída dos MSF

LUSA
15-02-2026 18:04h

O Exército israelita afirmou hoje que o Hamas usa o hospital Naser como “centro militar”, depois de a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) ter anunciado que suspendeu todas as suas atividades não essenciais no local.

“As FDI (Forças de Defesa de Israel) possuem informações de inteligência que indicam que o hospital Naser está a ser utilizado como quartel-general e posto militar para altos comandantes e operacionais do Hamas no sul da Faixa de Gaza”, afirmam em comunicado.

Para o exército israelita, a decisão dos MSF chega “tarde demais” e é “mais uma prova que reforça a necessidade do desarmamento” do Hamas.

Desde que iniciou a sua ofensiva em Gaza, Israel tem denunciado periodicamente que o Hamas usa hospitais para fins militares, uma afirmação negada por organizações como a Human Rights Watch ou a Organização Mundial da Saúde, bem como pelo próprio grupo islâmico.

A MSF — que terá de deixar de operar em Gaza a 1 de março devido aos obstáculos impostos por Israel — anunciou a redução da sua atividade no hospital de Naser devido a preocupações relacionadas com “a gestão da estrutura, a salvaguarda da sua neutralidade e as violações da segurança”.

Entre esses incidentes estão a presença de homens armados, intimidação, detenções arbitrárias de pacientes e um episódio recente sobre o qual há suspeitas de uma possível ligação com um movimento armado, segundo MSF.

O hospital, o principal no sul do enclave palestiniano, negou hoje a presença de grupos armados nas suas instalações e instou aos MSF a retirar qualquer acusação a esse respeito, num comunicado conjunto com o ministério da Saúde da faixa.

No comunicado, reconheceu “ameaças e ataques por parte de indivíduos” durante os dois anos de ofensiva militar.

Segundo o complexo hospitalar, havia um grupo de “polícia civil” com a missão de “proteger os pacientes e o pessoal médico, garantir a infraestrutura hospitalar e impedir a entrada armada” no centro médico.

Os Médicos Sem Fronteiras anunciaram no sábado a suspensão de parte das suas operações num dos maiores hospitais ainda em funcionamento na Faixa de Gaza, após doentes e funcionários terem relatado a presença de homens armados e encapuzados.

Num comunicado publicado no portal da organização humanitária, os MSF informaram que todas as atividades médicas não críticas no Hospital Nasser foram suspensas devido a “falhas de segurança”, referindo que a presença de homens armados representam “ameaças graves à segurança das equipas médicas e dos doentes”.

O Hospital Nasser, na cidade de Khan Younis, é um dos poucos ainda operacionais no enclave. Centenas de doentes e feridos de guerra foram ali tratados, e a unidade serviu também de ponto de acolhimento para prisioneiros palestinianos libertados por Israel em troca de reféns israelitas, no âmbito do acordo de cessar-fogo.

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