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Cortes no financiamento internacional ameaçam prevenção do VIH - ONG

Lusa
12-02-2026 15:41h

O Grupo de Ativistas em Tratamentos (GAT) alertou hoje que os cortes no financiamento internacional ameaçam a prevenção do vírus da imunodeficiência humana (VIH) e pediu “vontade política” para garantir acesso a preservativos.

“O preservativo é básico, funciona e continua a ser uma das ferramentas mais custo-eficazes para prevenir VIH e IST [infeções sexualmente transmissíveis]. Mas não basta dizer ‘basta usar’ - é preciso que exista vontade política para garantir acesso, planeamento e recursos”, afirma o diretor-geral adjunto do GAT, Ricardo Fernandes, citado em comunicado.

De acordo com o responsável, Portugal “precisa de um plano de prevenção” do VIH e das IST, com “financiamento e com dados nacionais sobre uso de preservativo” que permitam ajustar as respostas “a quem mais precisa”.

A organização não-governamental (ONG) considera que cortar na prevenção “não poupa dinheiro – adia a fatura aos sistemas de saúde, coloca em causa a eliminação do VIH e custa vidas”.

“Em 2026, num momento em que o financiamento global para a saúde encolhe, fica claro que basta vontade política para garantir o acesso ao preservativo como ferramenta de saúde pública, seja em Portugal ou no Mundo. Não está em causa apenas uma escolha individual: está também uma decisão política”, sustenta.

O aviso da ONG surge na sequência das “reduções drásticas e repentinas” no financiamento da resposta global ao VIH anunciadas pelos Estados Unidos no início de 2025, que não quer ver replicadas em Portugal.

No âmbito do Dia Internacional do Preservativo, assinalado na sexta-feira, as equipas do programa “GAT Move-se” vão distribuir 6.000 preservativos e informação sobre saúde sexual em três locais da Área Metropolitana de Lisboa.

A iniciativa decorre em parceria com a AIDS Healthcare Foundation (AHF) e com o apoio das câmaras municipais de Almada e Seixal.

Os preservativos vão ser distribuídos na Estação do Oriente, em Lisboa, entre as 10:00 e as 16:00, na Praça S. João Batista, em Almada, das 09:30 às 15:30, e no Fogueteiro, junto à bomba Cepsa, no Seixal, no mesmo horário.

“O Dia Internacional do Preservativo é um lembrete de que a prevenção não pode ser descartável. Quando o financiamento falha, as consequências não desaparecem - acumulam-se em infeções evitáveis e em vidas impactadas”, recorda o chefe do Gabinete da AHF na Europa.

O GAT salienta ainda que o preservativo deve “estar no centro” de uma estratégia de prevenção combinada, juntamente com testagem, tratamento, vacinação, Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) e Profilaxia Pós-Exposição (PPE).

A ONG acrescenta que os 997 diagnósticos de VIH registados em 2024 pela Direção Geral da Saúde (DGS), em Portugal, reforçam a necessidade de políticas públicas “consistentes e sustentadas” para travar novas infeções e reduzir desigualdades no acesso à prevenção.

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