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Começou julgamento histórico que acusa redes sociais de viciar crianças

Lusa
10-02-2026 00:36h

As maiores empresas de redes sociais do mundo enfrentam este ano, nos Estados Unidos, vários julgamentos históricos, que procuram responsabilizá-las pelos danos causados às crianças que utilizam as suas plataformas

As alegações iniciais do primeiro julgamento, no Tribunal Superior do Condado de Los Angeles, começaram segunda-feira, noticiou a agência Associated Press (AP).

O Instagram, da Meta, e o YouTube, da Google, enfrentam acusações de que as suas plataformas causam dependência e prejudicam deliberadamente crianças.

A TikTok e a Snap (Snapchat), que foram inicialmente citadas no processo, fizeram acordos por valores não divulgados.

Os jurados tiveram um primeiro vislumbre do que será um longo julgamento, caracterizado por narrativas divergentes dos autores e das restantes duas empresas de redes sociais nomeadas como rés.

Mark Lanier fez a declaração inicial em nome dos autores e chamou à Meta e à Google "duas das corporações mais ricas da história" que "'engenheirizaram' o vício no cérebro das crianças".

No centro do caso de Los Angeles está uma jovem de 19 anos identificada apenas pelas iniciais "KGM", cujo caso poderá determinar o desfecho de milhares de outros processos semelhantes contra empresas de redes sociais.

A jovem e outros dois autores foram selecionados para julgamentos-piloto — essencialmente casos de teste para que ambos os lados vejam como os seus argumentos se saem perante um júri e que indemnizações, se houver, podem ser atribuídas, explicou Clay Calvert, investigador sénior não residente de políticas tecnológicas do American Enterprise Institute.

É a primeira vez que as empresas apresentam os seus argumentos perante um júri, e o resultado pode ter efeitos profundos nos seus negócios e na forma como irão lidar com as crianças que utilizam as suas plataformas.

Lanier apontou que os advogados das empresas "tentarão culpar a menina e os seus pais pela armadilha que criaram", referindo-se à autora do processo.

A jovem era menor de idade quando disse ter-se tornado viciada em plataformas de redes sociais, o que, segundo ela, teve um impacto prejudicial na sua saúde mental.

A juíza Carolyn B. Kuhl referiu que os jurados devem decidir sobre a responsabilidade da Meta e do YouTube de forma independente durante as deliberações.

Executivos, incluindo o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, deverão testemunhar no julgamento.

Os especialistas estabeleceram paralelos com os julgamentos contra as grandes empresas de tabaco, que levaram a um acordo em 1998 obrigando as empresas de cigarros a pagar milhares de milhões em custos de cuidados de saúde e a restringir o marketing dirigido a menores.

As empresas tecnológicas contestam as alegações de que os seus produtos prejudicam deliberadamente crianças, citando uma série de medidas de segurança que têm acrescentado ao longo dos anos e argumentando que não são responsáveis pelo conteúdo publicado nos seus sites por terceiros.

Um porta-voz da Meta sublinhou num comunicado recente que a empresa discorda veementemente das alegações apresentadas no processo e que está "confiante de que as provas demonstrarão o nosso compromisso de longa data com o apoio aos jovens".

José Castañeda, porta-voz da Google, defendeu que as alegações contra o YouTube são "simplesmente falsas".

Em comunicado, frisou: "Proporcionar aos jovens uma experiência mais segura e saudável sempre foi fundamental para o nosso trabalho".

Entretanto, um julgamento separado no Novo México também estava previsto começar com as alegações iniciais a decorrerem hoje.

Entretanto, outros países estão a promulgar novas leis para limitar o uso das redes sociais pelas crianças.

Na Austrália, as empresas de redes sociais revogaram o acesso a cerca de 4,7 milhões de contas identificadas como pertencentes a crianças desde que o país proibiu o uso das plataformas por menores de 16 anos.

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