O Governo de Cabo Verde e as Nações Unidas assinaram hoje o Plano de Trabalho Anual para a saúde, orçado em 647 mil euros, um documento conjunto que define as atividades a apoiar durante 2026.
O documento prevê o reforço da saúde materno-infantil e do adolescente, atenção à mutilação genital feminina, continuidade das ações de vacinação, promoção da nutrição, saúde mental e eliminação da transmissão do VIH e sífilis de mãe para filho, entre outras atividades.
O ministro da Saúde de Cabo Verde, Jorge Figueiredo, destacou o papel do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) no apoio à vacinação no país, sublinhando que várias inoculações de elevado custo passaram a ser gratuitas com o apoio da organização.
Figueiredo assinalou ainda o apoio ao país na identificação de financiamentos alternativos, numa altura em que as agências internacionais enfrentam constrangimentos orçamentais.
Além disso, referiu que a malária também continua a ser uma prioridade, depois do ressurgimento, no último ano, já após Cabo Verde ter recebido o certificado de erradicação atribuído pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
"Desde dezembro, temos zero casos, mas a luta contra a malária é permanente e multissetorial. Não é apenas um problema da saúde", disse, acrescentando que o país já se prepara para o período das chuvas – a partir de julho.
Questionado sobre se a mutilação genital feminina começa a ser um problema de saúde pública em Cabo Verde, Jorge Figueiredo admitiu que sim.
“Nós pensamos que sim, porque culturalmente existe no continente africano e a relação entre Cabo Verde e África continua a ser profícua. Temos uma comunidade cada vez maior e sabemos também que há muito sigilo. Começámos a investigar e a aproximarmo-nos das mulheres para podermos ajudá-las", afirmou Jorge Figueiredo.
Segundo o governante, quando há identificação de um caso é feito imediatamente o registo e o acompanhamento, decorrendo formação de todos os funcionários que trabalham com a saúde da mulher “para estarem atentas a sinais de que estejam perante um problema de mutilação genital".
A assinatura do plano de trabalho anual juntou, hoje, o Ministério da Saúde de Cabo Verde, Unicef, Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e Fundo da População das Nações Unidas (FNUAP).
O representante do Unicef em Cabo Verde, David Matern, afirmou que a parceria vai reforçar a saúde sexual e reprodutiva com cuidados humanizados, melhorar a qualidade obstétrica e neonatal e acelerar a certificação da eliminação da transmissão vertical do VIH, sífilis e hepatite B.