O Hospital de Avelar da Fundação De Nossa Senhora Da Guia, em Ansião, no distrito de Leiria, registou danos consideráveis na sequência da passagem da depressão Kristin, tendo conseguido manter a atividade, disse o diretor à Lusa.
“Avaliação de danos em valor ainda não consigo dizer se é na ordem nas dezenas, se das centenas de milhares de euros”, afirmou Pedro Jacob.
Segundo o responsável, já conseguiram minimizar os danos causados numa parte onde “voaram todos os painéis laterais da cobertura e a própria cobertura”.
O Hospital de Avelar não suspendeu “qualquer tipo de atividade”, tendo previsto para quinta-feira cirurgias "que estavam programadas e não foram adiadas", adiantou.
“Foi afetado mais o internamento da Unidade de Cuidados Continuados [UCC] em que [os doentes] tiveram de estar durante três dias mais confinados nos quartos, porque não poderiam vir para a zona de salas de atividades, convívio e de refeições. De resto, conseguimos adaptar-nos às circunstâncias”, detalhou.
Numa publicação nas suas redes sociais, o Hospital de Avelar agradeceu a vários elementos de diversas empresas pela cedência de uma carrinha com plataforma elevatória, pela ajuda na reparação do telhado cerâmico e no arranjo dos vários danos provocados nas instalações.
“Agradecemos a vossa prontidão, sensibilidade e apoio, num momento em que a atuação era crítica para o bom funcionamento das instalações hospitalares, em especial, a permanência dos doentes internados na UCC”, escreveu.
Ao Município de Ansião, a unidade hospitalar agradeceu a cedência de lonas para mitigar os danos nas coberturas.
Além de deixar uma palavra de reconhecimento aos colaboradores, dirigiu-se ainda à população da região, a quem reconhece “o espírito de entreajuda e, sobretudo, a resiliência que tem vindo a demonstrar face aos sucessivos eventos que teimam em assolar” a região e que “testam a capacidade de superação” da comunidade.
Dez pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois quatro óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.
As autoridades nacionais não indicam o número de feridos resultantes das tempestades que têm atingido Portugal continental na última semana, com o Ministério da Saúde a remeter para a Direção Executiva do SNS, que não disponibiliza os dados.
Desde sexta-feira, a agência Lusa tem tentado, junto de várias entidades oficiais nacionais, obter o número de pessoas que ficaram feridas no país desde que a depressão Kristin assolou parte do território nacional, no dia 28 de janeiro, mas não conseguiu obter respostas.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.
Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.