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Mau tempo: Ordem dos Médicos anuncia mapeamento das dificuldades na área da saúde

Lusa
03-02-2026 16:02h

O bastonário da Ordem dos Médicos (OM) anunciou hoje que vai ser feito um mapeamento de todas as dificuldades existentes na área da saúde em Leiria, decorrentes da depressão Kristin, garantindo que a OM vai ajudar naquilo que puder.

“Vamos, coordenados com o hospital e aqui com a Proteção Civil, com a câmara, mapear todas as dificuldades que há na área da saúde e depois a Ordem dos Médicos vai ajudar naquilo que puder ajudar”, afirmou Carlos Cortes, que falava após uma reunião nos Bombeiros Sapadores de Leiria, onde está instalado o centro de operações do município.

Antes do encontro com o presidente da Câmara de Leiria, o bastonário reuniu-se também com o conselho de administração e diretores de serviço da Unidade Local de Saúde (ULS) da Região de Leiria.

“Vamos fazer um apanhado de toda a situação, centro de saúde a centro de saúde, as dificuldades que até o próprio hospital possa ter, determinadas infraestruturas, os lares por exemplo”, referiu à agência Lusa.

O objetivo é “mapear as dificuldades”, voltar nas semanas seguintes para visitar alguns locais que ainda “têm algumas dificuldades” e estabelecer um “plano de apoio, de ajuda” com a câmara municipal.

Carlos Cortes referiu que há ainda serviços de saúde com dificuldades devido à falta de eletricidade, mas referiu que foram já introduzidos sistemas alternativos como, por exemplo, a telemedicina.

“Houve apoio de muita gente, isso foi-nos repetido por várias vezes, portanto daqui a uma semana ou duas vamos voltar, vamos visitar estes centros de saúde e vamos colaborar com a Câmara Municipal no sentido de termos um projeto de recuperação, porque há um conjunto de infraestruturas que vão demorar muito tempo, não são semanas, não são meses, vão demorar anos a serem recuperadas”, salientou.

Reforçando que, dentro das competências limitadas nesta área, a Ordem dos Médicos quer colaborar e participar.

Nestas reuniões em Leiria, o bastonário esteve acompanhado pelo presidente do Conselho Regional do Centro, Manuel Teixeira Veríssimo, pelo presidente do Conselho Sub-regional de Leiria, Nuno Rama, pelo coordenador do Gabinete de Medicina Humanitária, Vítor Almeida, e pelo presidente do Colégio de Saúde Pública, Ricardo Mexia.

“A nossa vinda cá foi uma visita relâmpago, não viemos para atrapalhar, viemos para dizer que estávamos preocupados com a situação, que estamos solidários e propor toda a nossa colaboração”, sublinhou.

Na segunda-feira, a ULS da Região de Leiria disse que o Serviço de Urgência estava a funcionar sem qualquer constrangimento, “garantindo resposta plena à população”, e que os centros de saúde sede dispõem de energia e retomaram a atividade nesse dia.

A unidade disse ainda que nos polos que se mantêm inoperacionais “os seus profissionais continuarão a ser redistribuídos pelos centros de Saúde Sede e a prestar cuidados de saúde às populações”.

A área de influência da ULS da Região de Leiria corresponde aos concelhos de Alcobaça, Batalha, Leiria, Marinha Grande, Nazaré, Ourém, Pombal e Porto de Mós. Compreende três hospitais (Leiria, Pombal e Alcobaça) e 10 centros de saúde.

Dez pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois quatro óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador. Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.

O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 69 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

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