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Em 3 anos Portugal não terá dinheiro para medicamentos para diabéticos - especialista

Lusa
02-02-2026 12:07h

Leandro Massada, especialista em ortopedia e medicina desportiva, defendeu que “dentro de dois a três anos, Portugal não vai ter dinheiro para comprar medicamentos para os diabéticos”, doença que considera poder ser travada com exercício físico.

O médico, que durante 10 anos trabalhou no Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto e, durante 40 anos no hospital de Santo António, disse estar “demonstrado, pelo menos nos EUA e Inglaterra, que o número de diabéticos está a aumentar de tal maneira, bem como os gastos em máquinas que controlam as glicémias e medicamentos”.

“Se o número de diabéticos continuar a aumentar este ritmo, os serviços nacionais de saúde dos países ocidentais não aguentam mais de dois a três anos”, alertou durante uma palestra em Viana do Castelo.

Ex-docente de medicina da Universidade do Porto, antigo atleta profissional e médico do Futebol Clube do Porto desde 1976, que falava em Viana do Castelo à margem de uma palestra sobre reabilitação, movimento e 'performance', apontou o movimento “como o medicamento mais simples e à disposição de todos” para evitar doenças e tratar lesões”.

“As crianças no útero da mãe só conseguem formar os braços quando começam a fazer movimentos” e as “grávidas que praticam exercício físico têm filhos mais propensos à atividade física”.

“Devido ao tipo de regime alimentar praticado e, ao número de doenças que têm aparecido, como o sedentarismo, cardiopatias, diabetes e até demências precoces, dos últimos 50 anos, vamos ter pela primeira vez, a nível mundial e nos países ocidentais, os filhos a ter um tempo de vida inferior ao tempo de vida dos pais”, alertou.

Para Leandro Massada, “muitas das vezes, bastaria utilizar métodos relativamente simples, como o movimento desde o período escolar, até a velhice”, observou.

O aumento da miopia é segundo Leandro Massada, outra das consequências da inatividade física que tem aumentado, considerando que, atualmente, “estão a ser formados míopes”, porque “as crianças, em vez de estarem mais tempo fora da sala de aulas, estão metidas quatro, cinco, seis horas sentadas em ambientes fechados”.

Na palestra, organizada por um ginásio da Meadela, em que participaram outros especialistas, Leandro Massada afirmou que, para baixar a tendência de aumento de casos de miopia, “bastava pôr os míopes nos recreios".

“Neste momento, é um problema conjuntural que tem de ser combatido (…). Nós somos indivíduos que estamos programados para correr(…). No paleolítico, a maior parte dos homens faziam na caça mais ou menos entre 10 a 20 quilómetros por dia de atividade física. Ora, o nosso corpo deixou de fazer isso”, alertou.

Leandro Massada indicou que estudos realizados nos EUA “dizem que um americano faz em média 500 metros por dia” e que “os trabalhadores que estiveram anos e anos a trabalhar seis a sete horas, por dia, nos escritórios, estão a pôr as empresas em tribunal porque estão a ter problemas de diabetes e cardiopatia”.

“Daí a obrigatoriedade, mesmo nas empresas de, em determinados períodos de tempo, de hora em hora, ou de cinco em cinco horas, fazerem intervalos e fazer alguma atividade física, porque senão as companhias de seguro, dentro de anos, mesmo aqui em Portugal, vão começar a pagar as cardiopatias e as diabetes”, realçou.

Já a filha Marta Massada, também especialista em ortopedia e medicina desportiva, estimou em 1,5 mil milhões de euros os custos do Estado com a inatividade física e com baixas por doenças associadas à falta de exercício físico.

Segundo a especialista, um estudo da consultora internacional Deloitte para a Europa diz que a inatividade física custa a Portugal, 900 milhões de euros, por ano.

“Estes números dizem respeito a encargos de saúde. A estes números somam-se os dados do absentismo, das baixas por doença, que são cerca de 330 milhões de euros e mais o mesmo valor por perdas de receitas fiscais. Então, a Deloitte aponta para 1,2 a 1, 5 mil milhões de euros de gastos, por ano, com a inatividade física”, sustentou.

Marta Massada, que é também presidente da Assembleia Municipal (AM) do Porto, disse ser “importante”, não só para os médicos, mas também sobretudo para os políticos, “o acesso aos custos relacionados com a inatividade física”.

“Se eu não souber dizer quanto é que custa a inatividade física, como vou convencer quem manda que estas políticas de prevenção da doença, de promoção da atividade física são importantes?”, questionou.

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