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Enfermeiros Portugueses insatisfeitos com a profissão

Diogo Mendes
19-11-2018 16:30h

De acordo com um estudo recente, realizado pelo enfermeiro Eduardo Bernardino, 61% dos enfermeiros inquiridos estão descontentes com a sua profissão. A maioria exerce funções em hospitais (66.8%).

Na capa do estudo, o autor salienta de imediato a importância de avaliar os níveis de satisfação em cada profissão e os enfermeiros não são diferentes. "É importante compreender como se encontram, para decisivamente se poderem tomar medidas de melhoria, controle e monitorização." Um estudo que assenta na missiva - "um profissional satisfeito é um profissional que produz mais e melhor."

Para a realização deste estudo, procedeu-se à revisão de 11 artigos publicados entre 2003 e 2017, todos correspondentes a teses de Mestrado de universidade de Norte a Sul do país. Com os dados recolhidos foi possível definir duas linhas de orientação para este estudo que consistiram em traçar um perfil do Enfermeiro em Portugal e averiguar o grau de satisfação profissional.

A primeira fase pretendeu determinar as seguintes variáveis: sexo, tipologia da unidade onde exerce funções, tipologia do vínculo laboral, habilitações académicas, funções de gestão, tempo de serviço e se é sindicalizado. Para a segunda fase, foi desenvolvido um questionário sob a escala de likert para avaliar nível de satisfação com a profissão, com a carreira profissional, com a remuneração, com o local de trabalho, com a Chefia e com a Direção de Enfermagem do local onde exerce funções. A partir dos artigos estudados, foi também possível concluir que nunca se determinou o grau de satisfação com a Ordem dos Enfermeiros e com os Sindicatos, resultando na inclusão dessas questões neste inquérito.

O questionário foi disponibilizado na rede social Facebook no dia 9 de setembro do presente ano, obtendo, em 24 horas, um número de respostas superior ao pretendido, ou seja, 539 inquéritos preenchidos quando eram apenas necessários 383.

No que diz respeito ao perfil do Enfermeiro Português, concluiu-se que 85.4% são mulheres, 66.8% desempenham funções em Hospitais, 20.3% possuem Especialidade e 65.4% não é sindicalizada.

Relativamente ao Grau de Satisfação Profissional, sabe-se que 61% dos enfermeiros não estão satisfeitos, 90.6% está descontente com a sua carreira, 96.5% não concorda com a sua remuneração, 53.9% não estão satisfeitos com a direção de enfermagem, contudo há mais satisfeitos com a sua chefia (43.4%) do que insatisfeitos (39%) e, no que toca ao local de trabalho, há quase tantos satisfeitos (43.1%) como insatisfeitos (43.5%). Concluiu-se também 80.6% dos enfermeiros não estão satisfeitos com os sindicatos que os representam e 55.5% está satisfeito com a Ordem dos Enfermeiros.

Por fim, o autor sugere a "realização deste estudo anualmente para compreender a evolução do nível de satisfação dos Enfermeiros Portugueses perante a realidade Portuguesa" e ainda "aprofundar as áreas que nunca haviam sido alvo de estudo, nomeadamente a satisfação com as Direções de Enfermagem, Sindicatos e Ordem dos Enfermeiros, tentando compreender as causas diretas e indiretas dos resultados obtidos."

 

O estudo esta disponível para consulta, aqui.

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