O coordenador nacional do Bloco de Esquerda afirmou hoje que a ministra da Saúde deveria demitir-se imediatamente e questionou o primeiro-ministro sobre o que mais é preciso acontecer para haver uma alteração na política de saúde.
“A ministra da Saúde [Ana Paula Martins] há muito tempo que não tem condições para ser ministra da Saúde. É apenas uma teimosia por parte do primeiro-ministro manter esta pessoa”, disse José Manuel Pureza.
Em declarações aos jornalistas, em Coimbra, o líder bloquista salientou que, diante dos três casos em que utentes morreram após esperar por socorro esta semana, deveria ser a própria Ana Paula Martins “a apresentar imediatamente a sua demissão”.
“E, se assim não for, o primeiro-ministro tem a obrigação de proceder imediatamente à substituição da equipa do Ministério da Saúde”.
Pureza considerou que “a pergunta que o país faz" é "o que é necessário mais acontecer para que haja uma alteração na política de saúde do Governo?”
A posição do BE “é justamente a de uma crítica profunda e da exigência de que o primeiro-ministro explique ao país não apenas aquilo que se passou, mas sobretudo aquilo que se vai passar para que esta situação seja definitivamente alterada”.
Uma mulher morreu, na quarta-feira, em Sesimbra, após esperar mais de 40 minutos por socorro, no mesmo dia em que um homem, em Tavira, faleceu após estar mais de uma hora à espera de socorro.
Na terça-feira, também foi registada a morte de um homem, no Seixal, que aguardou três horas por uma ambulância.
"Isto mostra que a política de saúde do Governo está a falhar de maneira absolutamente clara”, vincou José Manuel Pureza.
Segundo o bloquista, sabe-se que “não foi reativado o reforço do número de ambulâncias para este inverno, que há duas ambulâncias para 300 mil pessoas em dois concelhos da margem sul do Tejo e que num dos casos [desta semana] a ambulância mais próxima estava a cerca de 35 quilómetros de distância [na ocorrência de Sesimbra]”.
Pureza referiu ainda que “o novo sistema de triagem está a causar problemas” e não a resolvê-los.
O bloquista pontuou que este Governo é responsável “por dar continuidade e aprofundar um desinvestimento muito sério nos cuidados de saúde públicos, no número de profissionais, nas condições do seu trabalho, do seu desempenho”, cujas consequências podem agora ser vistas no setor da emergência médica.
“A situação das urgências de obstetrícia e de ginecologia, a situação das urgências em geral, a retenção das macas das ambulâncias nas unidades hospitalares e a falha do sistema de emergência médica são situações a mais para que se possa manter olimpicamente esta equipa do Ministério da Saúde e para que, sobretudo, se possa manter olimpicamente o silêncio do primeiro-ministro nesta matéria”, disse.
Luís Montenegro admitiu hoje que a responsabilidade política pela situação na saúde é primeiramente sua, em resposta a Rui Tavares, do Livre, que defendeu que a ministra da Saúde só se mantém por ser um “para-raios” para o primeiro-ministro.
Entretanto, considerou incorreto fazer "uma diabolização" do estado da saúde, de maneira a incutir uma intranquilidade e desconfiança nos portugueses.
O Ministério Público instaurou um inquérito ao caso do utente que morreu na terça-feira no Seixal.
Na quarta-feira, o presidente do INEM, Luis Cabral, descartou responsabilidades do instituto, insistindo que 15 minutos depois foi tentada a ativação de um meio para o local, mas não havia ambulâncias disponíveis.
Luis Cabral atribuiu a falta de resposta atempada à retenção de macas nos hospitais, que seguram as ambulâncias, não podendo depois dar resposta a outras situações.