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Ébola: Passagem pelo Uganda não confirma local de infeção de caso na Nigéria - OMS

Lusa
22-10-2026 17:41h

O Diretor Regional da OMS para África explicou à Lusa que a viagem a partir do Uganda do primeiro infetado com Ébola na Nigéria não prova o local de contágio, permanecendo a origem da infeção sob investigação epidemiológica.

"O Uganda não notificou quaisquer casos ativos confirmados de Ébola desde que o último foi contido [sendo que o fim do surto foi declarado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 27 de agosto]", começou por contextualizar Mohamed Yakub Janabi quando questionado pela Lusa sobre a origem do primeiro caso de Ébola da estirpe Bundibugyo na Nigéria, após uma pessoa ter chegado de viagem do Uganda.

"É importante notar que o facto de a paciente nigeriana ter viajado do Uganda não estabelece onde adquiriu a infeção. As investigações estão a reconstruir o seu histórico de viagens e exposição, e a fonte de infeção permanece sob investigação", acrescentou o dirigente.

Janabi alertou ainda para a necessidade de se "permitir que essa investigação epidemiológica estabeleça os factos", ao mesmo tempo que se mantém uma vigilância reforçada no Uganda e noutros países da região.

Desde maio que a República Democrática do Congo (RDCongo), nação vizinha de Angola, enfrenta uma epidemia causada por esta nova variante, que ainda não tem vacina disponível.

"Ainda não existe uma vacina licenciada especificamente contra a estirpe Bundibugyo, mas o seu desenvolvimento avançou para ensaios em humanos. A candidata de Oxford está a ser avaliada no Reino Unido e no Uganda, onde um estudo de Fase I teve início a 06 de outubro", anunciou.

Na sua opinião, "são necessários mais dados para estabelecer a proteção contra a doença".

Além disso, adiantou, há o estudo BRAVO, que examina se a ERVEBO - licenciada contra a doença por vírus Ébola causada pelo vírus Ébola (Zaire) - pode oferecer proteção contra o vírus Bundibugyo.

"Até ao momento, 1.260 profissionais na linha da frente foram vacinados com a ERVEBO em Ituri, Kivu Norte e Bas-Uélé", na RDCongo, recordou.

Segundo o especialista, a 20 de outubro de 2026, a RDCongo tinha notificado 9.704 casos confirmados e 4.687 mortes, o que representa uma taxa de mortalidade de 48,3%.

A epidemia "afetou 66 zonas de saúde em oito províncias. (...) Um total de 2.595 pacientes recuperou e a taxa de rastreio de contactos situa-se nos 78%".

Ituri continua a ser a província mais afetada, com 7.040 casos e 3.271 mortes, enquanto o Kivu Norte registou 2.146 casos e 1.199 mortes, citou.

"A epidemia permanece num nível elevado, mas a transmissão está cada vez mais concentrada em focos específicos", referiu.

De acordo com Janabi, a prioridade não é "simplesmente continuar a expandir a resposta, mas sim mover rapidamente as equipas de vigilância, cuidados clínicos, e envolvimento comunitário para os locais onde a transmissão está agora a ocorrer".

Para o responsável, de forma geral, a investigação de vacinas é importante e está a avançar, mas a contenção não pode esperar pelos seus resultados.

Além da Nigéria e do Uganda, também o Quénia detetou a doença no seu território numa pessoa que tinha vindo da RDCongo.

A 20 de outubro, Nairobi tinha notificado nove casos confirmados, incluindo uma morte, e todos os nove permaneceram dentro de um único foco conhecido.

"Não há evidência de transmissão fora desse foco. Dos 135 contactos identificados, 134 (99,3%) foram rastreados e colocados em quarentena", referiu. 

A seu ver, para combater a epidemia, a contenção regional depende, em última análise, de mais do que o rastreio nas fronteiras: Exige uma notificação rápida entre países, um rastreio completo de contactos, instalações de saúde públicas e privadas vigilantes, prontidão laboratorial e comunidades que saibam quando e onde procurar cuidados de saúde.

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