Cabo Verde tem uma baixa cobertura da vacina contra tétano e difteria para grávidas, o que significa “uma séria ameaça” para a saúde materno-infantil, segundo um relatório divulgado hoje pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) do arquipélago.
“A cobertura vacinal de grávidas para tétano e difteria em Cabo Verde é baixa e, na sua maioria, com uma tendência de degradação”, lê-se no relatório estatístico dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
Os valores registados para a primeira dose da vacina tétano e difteria (Td1) e subsequentes, “estão muito aquém das metas de saúde pública geralmente recomendadas”.
A baixa cobertura "aumenta o risco de tétano neonatal e materno, representando uma séria ameaça para a saúde e o bem-estar materno-infantil”, segundo o documento, na análise ao conjunto de metas do terceiro objetivo (ODS 3).
A cobertura de grávidas que receberam a vacina Td apresentou um padrão diferenciado por dose.
“Analisando os valores em 2018 e 2023, verifica-se que a Td1 passou de 34,3% para 25,2%, com perda de 9,1 pontos percentuais, enquanto a Td2 recuou de 29,8% para 22%, com perda de 7,8 pontos percentuais”, indicou.
As doses Td3 e Td4 “também diminuíram no final da série, ao passo que a Td5 terminou o período acima do valor registado em 2018, embora com oscilações”.
A situação contrasta com a cobertura para crianças menores de um ano.
“A análise evidencia que Cabo Verde manteve, entre 2018 e 2022, níveis elevados de cobertura vacinal em crianças menores de um ano”, sempre superiores a 94%, de acordo com o relatório.
O país “possui uma base sólida”, mas “a variação entre diferentes vacinas” requer “monitorização contínua para garantir níveis elevados de cobertura, especialmente nos casos em que se identificam diminuições ao longo do tempo ou instabilidade anual significativa”, conclui.
Os dados fazem parte do sétimo relatório estatístico sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) estabelecidos pelas Nações Unidas e tratado pelo Instituto Nacional de Estatística de Cabo Verde (INECV).
O relatório “apresenta um retrato atualizado” da posição de Cabo Verde quanto à implementação dos ODS.
Segundo o documento, a proporção de população a viver abaixo da linha de pobreza internacional diminuiu de 4,6% em 2015 para 2,3% em 2022.
Os ODS são 169 medidas, agrupadas em 17 grandes objetivos (da área social, ambiental, económica ou institucional) escolhidos pela Organização das Nações Unidas que propôs como meta implementá-los até 2030.
Erradicação da pobreza, “fome zero” e garantir boa saúde e bem-estar para todos são os três primeiros grandes objetivos da lista.