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Ébola: Quénia anuncia segundo caso mas nega transmissão em larga escala

Lusa
14-10-2026 17:31h

O Quénia anunciou hoje a existência de um segundo caso de Ébola, confirmado num familiar do paciente residente na República Democrática do Congo que introduziu a doença em Nairobi, mas negou qualquer transmissão em larga escala.

"O paciente, um homem de 39 anos, é um familiar próximo do primeiro caso e já se encontrava em quarentena, sob vigilância diária, quando adoeceu a 13 de outubro", afirmou o Ministério da Saúde do Quénia.

O Quénia "registou, até à data, dois casos confirmados e uma morte", o do primeiro infetado, que era um homem de 40 anos residente na República Democrática do Congo (RDCongo) e que viajou este mês para o Quénia, acrescentaram.

Assim que o segundo caso apresentou febre, fadiga e dores articulares, "a equipa de quarentena isolou-o e recolheu uma amostra. Esta deu positivo" em dois laboratórios com "resultados coincidentes", explicou o diretor-geral da Saúde, Patrick Omoth, num comunicado.

O paciente, precisou, encontra-se atualmente num "centro de tratamento designado, onde equipas capacitadas lhe prestam cuidados de apoio".

Como já estava em quarentena, a doença "foi detetada a tempo", sublinhou o Ministério da Saúde, destacando que "o apoio precoce melhora as probabilidades de recuperação, e o seu isolamento perante o primeiro sintoma limita o risco de transmitir o vírus a outras pessoas".

As autoridades de saúde quenianas asseguraram que o rastreio de contactos e a vigilância "estão a dar resultados" e enfatizaram que "ambos os casos estão relacionados e não há indícios de propagação na comunidade em geral".

O Ministério da Saúde identificou 128 contactos do primeiro caso e, à data de 13 de outubro, tinha localizado 113.

"Destes, 108 permanecem em quarentena no Quénia, submetidos a controlos clínicos e de temperatura diários durante 21 dias a contar da sua última exposição possível. Os outros cinco estão fora do Quénia, e as autoridades de saúde desses países foram notificadas", indicou Omoth, enquanto prossegue a busca pelos 15 contactos restantes.

As equipas médicas estão a avaliar todas as pessoas que estiveram em contacto com o segundo caso desde o início dos sintomas, incluindo o pessoal de quarentena e os profissionais de saúde.

O Quénia é o quarto país a registar um caso ligado à epidemia de Ébola na RDCongo - nação vizinha de Angola -, juntamente com o Uganda, França e Países Baixos.

A RDCongo declarou a 15 de maio o seu 17.º episódio de Ébola - o segundo mais mortífero da História a nível global -, que causou 9.144 casos confirmados, incluindo 4.410 mortos, segundo o mais recente balanço do Governo congolês.

A estirpe de Bundibugyo, causadora da atual epidemia, carece de tratamentos médicos específicos, embora a Organização Mundial da Saúde (OMS) esteja a trabalhar em duas vacinas que iniciaram ensaios em humanos e que, até agora, se revelaram seguras, mas o seu desenvolvimento poderá demorar vários meses.

O vírus do Ébola transmite-se por contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e provoca febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragias internas.

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