O número de consultas e exames complementares de diagnóstico aumentaram este ano no Hospital do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada, apesar de a unidade hospital funcionar num edifício modular, após o incêndio de 2024, revelou hoje o Governo Regional.
“Temos um aumento de quase 8% no total de consultas realizadas. A 31 de agosto deste ano, temos mais de 30 mil consultas, mais 10% de primeiras consultas”, indicou a secretária Regional da Saúde, Mónica Seidi.
A governante falava numa audição na comissão de Assuntos Sociais da Assembleia Legislativa Regional, reunida em Angra do Heroísmo, a pedido do PS, o maior partido da oposição nos Açores, que solicitou esclarecimentos sobre o plano funcional para o novo hospital de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel.
Segundo a governante, a produtividade no hospital modular tem vindo a aumentar em comparação com 2025 e até mesmo com o período anterior ao incêndio, “graças ao empenho dos profissionais de saúde”.
“Ao nível do hospital de dia, o número de sessões ultrapassa em 1.500 aquelas que foram realizadas em 2025 e o número de utentes que é seguido em hospital de dia é também superior”, adiantou a titular da pasta da Saúde nas ilhas.
Ainda de acordo com a secretária Regional, ao nível de exames complementares de diagnóstico e terapêutica, entre janeiro e agosto o Hospital do Divino Espírito Santo (HDES) realizou um milhão e 786 mil procedimentos, ou seja, “um crescimento de 10%”, número que supera mesmo os valores anteriores ao incêndio.
Apesar da melhoria em termos estatísticos, em matéria de consultas e exames complementares de diagnóstico Mónica Seidi admitiu que houve um retrocesso na evolução dos números de cirurgias de ambulatório e anunciou que o Governo Regional (PSD/CDS-PP/ PPM) vai investir na construção de dois novos blocos operatórios para reforçar a resposta hospitalar nesta área.
“Essa limitação foi identificada pelo conselho de administração do HDES que nos fez chegar no passado mês de setembro uma proposta relativamente à necessidade de intervenção no bloco operatório atual para que se consiga fazer mais cirurgias de ambulatório”, referiu a governante.
Segundo a secretária Regional da Saúde, a limitação no número de cirurgias de ambulatório já tinha sido identificada antes mesmo do incêndio de 04 de maio de 2024, sendo que nessa altura o executivo estava a preparar o lançamento de um concurso público para a construção de mais blocos operatórios.
“Efetivamente, isso está a ter um impacto no aumento das listas de espera cirúrgica, porque estamos a falar, em números baixos, de menos 70 doentes que estão a ser operados por mês. Se se multiplicar estes 70 doentes por um ano, seguramente se vai perceber que é uma mais-valia a realização desta obra”, defendeu Mónica Seidi.
A governante disse também que o hospital modular vai ter “um papel fundamental” quando começar a ser construído o novo hospital de Ponta Delgada, permitindo assegurar a prestação de cuidados de saúde à população açoriana, sem riscos para os profissionais de saúde ou para os utentes.
Os deputados da bancada socialista questionaram Mónica Seidi sobre os prazos previstos para o lançamento do concurso para a conceção e construção da nova unidade de saúde na ilha de São Miguel, mas a governante escusou comprometer-se com uma data: “irei desenvolver todas as diligencias necessárias para que este processo continue a avançar”.
O incêndio que deflagrou em 04 de maio de 2024 na galeria técnica do piso 1 do hospital teve origem numa avaria numa bateria de condensadores do sistema de correção do fator de potência, tendo as chamas deflagraram devido a uma falha técnica e à “falência de equipamentos”.
Na altura, as autoridades transferiram todos os doentes internados para outras unidades de saúde da região e cancelaram durante várias semanas a realização de atos médicos no edifício principal.
O Governo Regional construiu, entretanto, um hospital modular para repor segurança na prestação de cuidados de saúde.