O presidente executivo (CEO) da DE-CIX defende, em entrevista à Lusa, que a resposta não é abrandar o desenvolvimento da IA, mas torná-la mais segura, e salienta o sonho de construir um ecossistema em órbita com Space-IX.
Ivo Ivanov esteve em Lisboa, no âmbito da conferência Atlantic Convergence, subordinada ao tema "Building sustainable & secure digital infrastructures to power an AI enabled future", que decorreu entre 29 de setembro e 01 de outubro.
Questionado sobre as recentes posições sobre um eventual abrandamento da inteligência artificial (IA), Ivo Ivanov recorda que "cada passo da inovação na história da humanidade tem sempre desafios e riscos", dando o exemplo do automóvel.
Quanto este foi desenvolvido e aprsentado ao público, "as pessoas tinham medo de serem atropeladas pelos automóveis", o que pode acontecer, pelo que foi necessário aplicar regulamentação para garantir que fossem seguros, incluindo cintos de segurança, entre outras medidas.
"O mesmo se aplica à IA. Não devemos falar apenas dos riscos, devemos falar também das vantagens da inovação, ao mesmo tempo que a abordamos de forma responsável, e caberá a todas as partes interessadas envolvidas encontrar o enquadramento adequado, não para travar o progresso da inovação, mas apenas para o poder controlar", defende o gestor.
Portanto, "controlo não significa impedir a inovação, a resposta não é parar a IA nem abrandá-la, basta torná-la mais segura, também através da IA", salienta Ivo Ivanov.
Quanto a mais regulação, o CEO da DE-CIX, operador mundial de Pontos de Troca de Tráfego de Internet (IX), considera que sempre que é excessiva nunca é útil.
"Se começarmos a regulamentar em excesso logo no início de uma nova era de inovação, acabamos por comprometer o ritmo da inovação, e, a certa altura, não haverá nada que se possa regular, porque nada acontecerá", prossegue.
Relativamente ao futuro, Ivo Ivanov apontou o Space-IX.
"O meu sonho é construir um ecossistema em órbita. Chamo-lhe Space-IX", aponta, explicando a razão.
Isto porque "constatamos uma enorme necessidade de aumentar a redundância, alargando o ecossistema terrestre ao ecossistema orbital e integrando ambos", para garantir que, caso se verifique um dano na infraestrutura terrestre, este possa ser compensado a partir do espaço, a partir da órbita.
"No que diz respeito às infraestruturas críticas, isto é importante", sublinha.
"Assistimos a cortes em cabos submarinos e em cabos de fibra ótica" e se houver uma ligação entre o espaço isso permitirá às empresas, organizações, governos e utilizadores que tudo continuará a funcionar.
Trata-se de "soberania e resiliência no domínio dos serviços digitais e é nisso que estamos a trabalhar em conjunto com a Agência Espacial Europeia", diz.
"Há um projeto a ser lançado, mas também em colaboração com outras entidades fora da Europa, com o objetivo de criar o primeiro ponto de troca de tráfego da Internet no espaço, apoiando os projetos relacionados com centros de dados no espaço, conteúdos no espaço e aplicações no espaço", refere o gestor.